News Farma (NF) | Quais as suas expectativas iniciais relativamente ao I WetLab Válvula Aórtica e Cirurgia da Aorta?
Dr. João Pedro Monteiro (JPM) | Os eventos promovidos pelo recentemente criado Clube de Internos de Cirurgia Cardíaca (CICC), em que tive o prazer de participar, demonstraram ter como principal intuito ir ao encontro dos interesses dos internos. Nós, internos de Cirurgia Cardíaca, procuramos durante o nosso internato obter o máximo de prática cirúrgica possível, de forma a acabarmos a especialidade com a autonomia cirúrgica necessária para oferecer o melhor tratamento aos nossos doentes. Ao inscrever-me neste curso procurava encontrar a oportunidade de desenvolver a minha técnica cirúrgica, para além do que me é permitido na prática clínica hospitalar habitual.
NF | Este curso foi de encontro a essas expectativas?
JPM | Foi além das minhas expectativas. Para além de realizarmos treino da técnica cirúrgica base, como é o caso da substituição valvular aórtica (“cirurgia do interno”), foi-nos também permitido treinar cirurgias bem mais elaboradas. Pela primeira vez, tivemos a oportunidade de treinar técnicas que, na realidade hospitalar, apenas cirurgiões especialistas têm acesso, como por exemplo a cirurgia de Bentall. A simulação de cenários cada vez mais complexos e exigentes é uma mais valia para a nossa formação, pois expõe os internos a dificuldades que nunca teriam acesso durante o seu internato hospitalar.
Também ressalto a introdução teórica apresentada pelo Prof. Dr. Ângelo Nobre, diretor de Serviço da Cirurgia Cardiotorácica do Hospital de Santa Maria, premiando-nos com uma sessão de “truques” cirúrgicos que utiliza na sua prática.
NF | Os eventos científicos promovidos pelo CICC primam pelo ambiente informal e dinâmico. Quais as mais-valias deste modelo de aprendizagem?
JPM | Este registo informal e de grande abertura é o que diferencia estes encontros de qualquer outro congresso ou formação. Na minha opinião, este tem sido o grande segredo por detrás de tanto sucesso. De curso em curso é notório a evolução da interação e proximidade entre internos e também entre internos e formadores. Neste WetLab, a troca de ideias, tanto de temas científicos como outros, foi uma constante. Esta convivência única, atrevo-me a dizer, nunca antes vista na nossa especialidade, tem permitido o intercâmbio de know-how entre internos e, consequentemente, entre instituições. Adivinha-se por isso um futuro com maior diálogo e partilha de conhecimentos com benefício para os internos, mas, acima de tudo, para a Cirurgia Cardíaca de Portugal.
NF | Como resume este curso a internos que queiram participar no futuro?
JPM | Um excelente convívio, em que, de forma descontraída e divertida, temos oportunidade de ter contacto próximo com a exigente técnica cirúrgica que nos é requerida pela especialidade que escolhemos.
NF | Recomenda por isso cursos deste género?
JPM | Recomendo. Não só a internos de Cirurgia Cardíaca, mas também de outras especialidades, Apesar do inovador CICC ser algo para uso exclusivo dos internos da nossa especialidade, desafio internos de outras especialidades a seguirem este modelo, criarem o seu próprio clube e organizarem cursos semelhantes.













