Estudo indica que células estaminais são eficazes no tratamento de lúpus eritematoso sistémico
27/03/2018 16:46:12
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Estudo indica que células estaminais são eficazes no tratamento de lúpus eritematoso sistémico

Investigadores da China, dos Estados Unidos da América e de França realizaram um estudo, com o objetivo de testar a eficácia da administração de células estaminais mesenquimais (MSC) em doentes com lúpus eritematoso sistémico (LES), em alternativa à transplantação hematopoiética. Numa publicação recente, os autores referem que os resultados apontam para que o tratamento de LES refratário severo, utilizando MSC, seja mais seguro e eficaz do que a transplantação hematopoiética.

Dos 81 doentes envolvidos neste estudo, 22 receberam MSC da medula óssea e os restantes 59 receberam MSC de tecido do cordão umbilical, tendo sido seguidos durante, pelo menos, cinco anos após o tratamento experimental.

Nos utentes que receberam transplantes hematopoiéticos, verificou-se que a percentagem de doentes que entraram em remissão completa após tratamento com MSC foi superior e, destes, o número de doentes que sofreram recaídas foi menor. A pontuação do índice de atividade da doença diminuiu e permaneceu significativamente mais baixa durante os cinco anos de seguimento destes doentes, o que indica uma melhoria dos sintomas durante esse período. Além disto, o tratamento com MSC permitiu a redução da dose de imunossupressores feita de forma crónica e promoveu melhorias na função pulmonar, renal e hematológica em vários doentes.

A Prof.ª Doutora Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal, explica que, “uma vantagem da utilização de MSC, comparativamente à transplantação hematopoiética, é a redução da utilização de agentes imunossupressores na altura do tratamento, tornando os doentes menos suscetíveis a infeções". Neste sentido, as "taxas de infeção decorrentes deste tratamento foram inferiores às reportadas no caso de transplantação hematopoiética", de acordo com a Prof. Doutora Bruna Moreira.

Para a investigadora, "os resultados positivos deste estudo demonstram que o tratamento com MSC de medula óssea ou tecido do cordão umbilical apresenta eficácia comparável, senão superior, à da transplantação hematopoiética, em doestes com LES refratário, e com menos efeitos adversos associados". Relativamente às perspetivas para o futuro, a Prof.ª Doutora Bruna Moreira considera que a administração de MSD pode vir a constituir "uma alternativa terapêutica mais segura e eficaz para o tratamento das formas mais agressivas de LES e permitir a estes doentes um melhor controlo da doença”.

O LES é uma doença rara que afeta cerca de 0,07% da população portuguesa, sobretudo mulheres em idade reprodutiva, tendo um impacto significativo na sua qualidade de vida.


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