Investimento no SNS permitiu retorno económico de 5 mil milhões de euros
06/03/2018 16:28:30
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
Investimento no SNS permitiu retorno económico de 5 mil milhões de euros

O impacto do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no absentismo laboral e na produtividade permitiu uma poupança de 3,3 mil milhões de euros, o que se traduziu num retorno económico de cinco mil milhões de euros. Esta é uma das principais conclusões do estudo da NOVA Information Management School (NOVA-IMS) da Universidade Nova de Lisboa, apresentado esta terça-feira, 6 de março, na 7.ª Conferência AbbVie|TSF|DN, que decorreu no Centro Cultural de Belém (CCB).

Ao somar o impacto do SNS no absentismo laboral e na produtividade, o estudo “Índice de Saúde Sustentável” verificou que o SNS possibilitou uma poupança de 3,3 mil milhões de euros. Segundo o Prof. Doutor Pedro Simões Coelho, diretor da NOVA-IMS e principal coordenador do projeto, "com este resultado fica comprovado que o SNS tem um impacto extremamente positivo quer no absentismo laboral, como na produtividade, permitindo poupanças significativas. Mas podemos ir mais longe na leitura destes dados e mostrar que o investimento no SNS não traz apenas poupanças, mas também um importante retorno económico". Neste sentido, o diretor da NOVA-IMS refere que, "se considerarmos a poupança de 3,3 mil milhões de euros de impacto por via dos salários e a relação entre a produtividade/remuneração do trabalho (valores referência do INE), obtemos um retorno para a economia que ronda os cinco mil milhões de euros”.

Pela primeira vez, o estudo analisou também o impacto do estado da Saúde na produtividade. Os dados revelam que, por motivos de Saúde, terá existido uma perda de produtividade equivalente a 9,3 dias de trabalho, o que se traduz num prejuízo de 3,3 mil milhões de euros. No entanto, concluiu-se ainda que o SNS permitiu evitar outros 7,3 dias de trabalho perdidos em produtividade, resultando numa poupança de 2,6 mil milhões de euros.

O estudo revela que, em média, os portugueses faltaram quase seis dias ao trabalho em 2017, cerca de 2,6% do tempo total trabalhado, o que resultou num prejuízo de 2,1 mil milhões de euros. No entanto, de acordo com dados da investigação, a prestação de cuidados de Saúde através do SNS permitiu evitar a ausência laboral de quase dois dias (1,9), o que se traduz numa poupança de 677 milhões de euros. Caso não tivessem sido prestados cuidados de Saúde por via do SNS, o número médio de absentismo laboral ascenderia aos 7,8 dias, totalizando um prejuízo de 2,8 mil milhões de euros.

Outras conclusões do estudo revelam que, apesar de na ótica dos portugueses a qualidade dos serviços ter diminuído ligeiramente (66.7 pontos, menos 1,6 do que em 2016), a qualidade técnica efetiva do SNS, que usou 13 indicadores validados e ponderados por um grupo de peritos, subiu substancialmente, alcançando os 73.8 pontos (mais 5,3 do que no ano anterior).

O cruzamento desta informação com a atividade, a despesa e o défice do SNS permitiu calcular o índice de sustentabilidade da Saúde, que progrediu dos 102.2 para os 103.0 pontos. Em comunicado, o Prof. Doutor Pedro Simões Coelho refere que “a qualidade efetiva dos serviços de Saúde melhorou consideravelmente, a atividade do SNS está estável e o défice diminuiu de 300 para 230 milhões", considerado que estão "reunidas as condições para a evolução favorável do índice de sustentabilidade, que revela que o SNS está num caminho positivo”.

A acompanhar esta tendência favorável está também o índice global do estado de Saúde dos portugueses que dos 73,1 pontos registados em 2016 evoluiu agora para os 75,6 pontos – numa escala de 0 a 100, em que 100 corresponde ao estado de Saúde ideal. Se a este índice fosse retirado o contributo do SNS, o valor ficaria pelos 60,0 pontos, o que, de acordo com a investigação, comprova que o SNS contribui fortemente para a perceção do estado de Saúde dos cidadãos.

O impacto dos custos de transporte no acesso aos cuidados de Saúde

Além do impacto das taxas moderadoras, o estudo analisou, pela primeira vez, o impacto dos custos de transporte no acesso aos cuidados de Saúde e verificou que estes têm mais peso nas consultas externas/de especialidade. Por realizar ficaram 539.824 consultas externas/de especialidade devido aos custos de deslocação e 260.905 devido aos custos de transporte e taxas moderadoras. O estudo indica ainda que cerca de 13,5% dos inquiridos admitiram não ter recorrido às urgências devido ao custo das taxas moderadoras, resultando em 908.631 episódios de urgência por concretizar. No entanto, o impacto dos custos no acesso aos cuidados de Saúde, a nível global, tem vindo a diminuir.

Relativamente às taxas moderadoras, os cidadãos estimam custos acima dos reais, existindo uma diferença entre o valor que os portugueses julgam que custa (11,32 euros) e o que realmente custa (7,00 euros) a taxa moderadora para uma consulta externa/de especialidade num hospital público. No caso dos internamentos, a situação é ainda mais flagrante, tendo em conta que os portugueses julgam ter de pagar cerca de 27,78 euros. Já em relação às urgências, os portugueses aproximam-se mais dos valores reais.

Na 7.ª Conferência AbbVie|TSF|DN figuras como o Prof. Doutor Adalberto Campos Fernandes, ministro da Saúde, e a Dr.ª Maria de Belém Roseira, presidente da Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde, analisaram a "Sustentabilidade em Saúde 5.0 – Inovação e doença: o valor em Saúde".


Pesquisa

Publicações

Prev Next

Médico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Farmacêutico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Hematologia e Oncologia, 24, dezembro 2018

15.º Congresso Português de Diabetes, n.3

  SIDA, 37, janeiro/fevereiro 2019