Projeto pioneiro aposta na intervenção psicológica para combater excesso de peso
29/01/2018 15:38:17
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Projeto pioneiro aposta na intervenção psicológica para combater excesso de peso

Uma intervenção psicológica inovadora, baseada nos componentes mindfulness, aceitação e autocompaixão, surge agora com o objetivo de diminuir o impacto do estigma da obesidade. O projeto foi desenvolvido por investigadores do Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCE-UC) e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

O programa Kg-free, desenvolvido no âmbito do doutoramento da Prof. Doutora Lara Palmeira, é constituído por dez sessões semanais e duas quinzenais em grupo e tem como objetivos a promoção de comportamentos saudáveis e da qualidade de vida, para além da diminuição do impacto do estigma em relação ao peso em mulheres com excesso de peso e obesidade.

A partir do mindfulness, um treino mental que ensina as pessoas a lidarem com os seus pensamentos e emoções, a intervenção promove uma relação mais consciente com a alimentação, como, por exemplo, ao dar atenção aos sabores e à textura dos alimentos. Para além disso, pretende-se estabelecer uma relação positiva e flexível com a imagem corporal, peso e alimentação - a componente da aceitação. O último ponto trabalha a relação do "eu" e da autocompaixão, ou seja, diligencia uma relação interna baseada numa atitude de compreensão, cuidado e suporte quando algo corre mal.

O programa, segundo a Prof. Doutora Lara Palmeira, observou que a "intervenção foi eficaz na promoção do bem-estar e da qualidade de vida e na diminuição de comportamentos alimentares perturbados, do estigma internalizado e do autocriticismo". A investigadora explica ainda que os participantes deste estudo desenvolveram "uma atitude mais saudável, flexível e positiva em relação ao seu peso e alimentação", verificando o "desenvolvimento de uma visão do eu mais positiva e menos crítica/hostil, focada no bem-estar e na persecução de uma vida com significado que vá para além do peso".

Outra conclusão do estudo aponta para a importância de complementar as abordagens tradicionais de combate à obesidade com uma intervenção psicológica. É necessária "uma abordagem multidisciplinar que se foque não só na perda de peso, mas que promova diretamente o bem-estar e qualidade de vida, intervindo na diminuição do estigma e nas estratégias de regulação emocional desadaptativas", sublinha ainda a investigadora.

No projeto participaram centenas de adultos com excesso de peso e obesidade, na sua maioria mulheres, em tratamento para perda de peso no distrito de Coimbra.


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