Estudo alerta: é preciso avaliar a sustentabilidade do modelo atual dos cuidados de saúde
25/01/2018 14:59:14
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Estudo alerta: é preciso avaliar a sustentabilidade do modelo atual dos cuidados de saúde

Uma investigação publicada no final do ano passado, e financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, alerta para a necessidade urgente de avaliar a sustentabilidade do modelo atual de cuidados de saúde e apoio social, sobretudo no que diz respeito às crianças. O estudo analisou dados de mais de um milhão de pessoas falecidas em Portugal entre 1987 e 2012, cruzando as perspetivas de especialistas em saúde pública, cuidados paliativos e pediatria, para melhor compreender a realidade portuguesa.

Em comunicado, a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), que liderou este estudo, afirma que "71% das mortes de adultos e 33% das crianças devem-se a doenças que necessitam reconhecidamente de cuidados paliativos". Estes valores, apesar de semelhantes aos restantes países da Europa, não respondem às necessidades atuais da população em geral, sobretudo, das crianças. Outros dados do estudo revelam que o cancro é, cada vez mais, uma das principais causas das mortes com necessidades paliativas (34% nos adultos e 38% nas crianças).

A forma como a sociedade portuguesa lida com doenças avançadas e o fim da vida foi também alvo de estudo. A investigação verificou que existe uma tradição de apoio familiar alargado, uma vez que os familiares tentam cuidar dos doentes em casa, muito associada às mulheres na família. Por outro lado, o estudo constatou que os portugueses estão extremamente dependentes dos hospitais, por considerarem que aí encontram os melhores cuidados na saúde.

De acordo com a Prof. Doutora Bárbara Gomes o atual modelo de cuidados "leva a que tenhamos uma das mais altas taxas de morte hospitalar do mundo, sobretudo em idades mais jovens e no cancro. Vivemos num sistema hospitalocêntrico difícil de sustentar no futuro. Por isso, precisamos perceber que os cuidados devem girar em torno dos doentes e das famílias, e não o contrário. Temos que repensar e criar novas soluções", explica.

O estudo envolveu médicos e investigadores da FMUC e do King´s College London, do Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Faculdade de Economia Universidade de Coimbra (CEISUC), do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa (ENSP-NOVA), do Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil (IPO) e do Hospital Espírito Santo de Évora (EPE).


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