Cerca de 25% dos doentes com doença cardíaca isquémica crónica morreram ou foram hospitalizados em seis meses
17/01/2018 15:13:17
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Cerca de 25% dos doentes com doença cardíaca isquémica crónica morreram ou foram hospitalizados em seis meses

Aproximadamente um quarto dos doentes com doença cardiovascular isquémica crónica morreram ou foram hospitalizados seis meses após o primeiro diagnóstico, segundo um estudo publicado hoje pela European Society of Cardiology (ESC) no European Journal of Preventive Cardiology.

O Chronic Ischaemic Cardiovascular Disease (CICD) Pilot Registry foi desenhado para estudar o que acontece com os doentes que se “perdem” no sistema após seis meses de serem vistos por um profissional de saúde. O estudo de observação foi realizado como parte do EURObservational Research Programme (EORP) da ESC.

"A doença arterial coronária é a principal causa de morte em todo o mundo, mas alguns doentes parecem perder-se no sistema após a sua visita inicial a um hospital ou consulta ambulatória", refere o Prof. Doutor Michel Komajda, professor de Cardiologia na Faculté de médecine Pierre et Marie Curie, em Paris, França, e autor principal do estudo.

O estudo incluiu 2420 doentes de 100 hospitais e clínicas de ambulatório em dez países europeus. Os participantes tinham doença coronária estável ou doença arterial periférica, as condições mais comuns observadas por um cardiologista. Os fatores de risco e os tratamentos foram registados no início do estudo, tendo sido relatados anteriormente (Komadja M et al., 2016). Os tratamentos e os resultados foram registados aos seis meses.

Os dados de follow-up estavam disponíveis para 2.203 doentes, dos quais 522 (24%) morreram ou foram re-hospitalizados durante os seis meses. Os fatores associados ao risco de morte ou de re-hospitalização foram idade avançada, com razão de risco de 1,17 por cada dez anos, história de revascularização periférica (HR 1,45), doença renal crónica (HR 1,31) e doença pulmonar obstrutiva crónica (HR 1,42) (todos p <0,05). A maioria das causas de morte e de re-hospitalização foram cardiovasculares.

O Prof. Doutor Michel Komajda sublinha: “Estes doentes estão em alto risco de morrer ou de serem re-hospitalizados a curto prazo e devem ser cuidadosamente monitorizados por médicos. Identificámos fatores clínicos que estão fortemente associados a esse risco elevado que podem ser facilmente avaliados".

A taxa de prescrição de inibidores da enzima de conversão da angiotensina, beta-bloqueantes e aspirina foi menor aos seis meses em comparação com o início do estudo (todos p <0,02). "Em números absolutos, as reduções foram modestas, mas alcançaram significância estatística. Isso mostra que os doentes têm mais hipóteses de receber medicamentos recomendados no hospital ou diretamente após uma consulta ambulatória. Seis meses depois, os fármacos que devem tomar para reduzir o risco de morte e de re-hospitalização são prescritas com menos frequência”, explica o Prof. Doutor Michel Komajda. O autor principal do estudo acrescenta que “é provável que haja uma transferência insuficiente desses doentes para um cardiologista ou para um médico de clínica geral e, portanto, as suas receitas não são renovadas". Embora o estudo não tenha avaliado os motivos da redução das prescrições, os possíveis fatores incluem o facto de os doentes poderem estar cansados de tomar fármacos ou não poderem pagá-los.

As taxas de morte e de re-hospitalização aos seis meses foram significativamente maiores nos países do leste, oeste e norte da Europa, em comparação com os países do sul. Dado o número relativamente pequeno de doentes que participaram no estudo, o Prof. Doutor Michel Komajda afirma que conclusões firmes não podem ser tiradas. Contudo, o autor sublinha: "Nós antecipámos que os resultados seriam melhores nos países mediterrânicos, o que se veio a comprovar, provavelmente por causa da dieta e outros fatores relacionados com o estilo de vida".

O Prof. Doutor Michel Komajda conclui: “O estudo mostra que os doentes com doença cardiovascular isquémica crónica apresentam alto risco de maus desfechos a curto prazo. No entanto, alguns não estão a receber medicamentos preventivos recomendados, que poderiam melhorar as suas perspetivas. São necessários mais esforços para garantir que esses doentes continuam a ser monitorizados e tratados após o abandono do hospital ou de uma consulta ambulatória".


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