Células estaminais diminuem inflamação associada ao transplante hepático
13/12/2017 15:53:59
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Células estaminais diminuem inflamação associada ao transplante hepático

Um ensaio clínico recente revela as células estaminais mesenquimais presentes no tecido do cordão umbilical suprimem a rejeição de transplantes hepáticos. O resultado das análises sanguíneas realizadas após o tratamento revelou melhorias significativas na função hepática e ao nível do sistema imunitário nos doentes.

Em comunicado de imprensa, a Crioestaminal informa que no estudo em causa, participaram 27 doentes em fase de rejeição aguda do transplante, distribuídos por dois grupos de forma aleatória. Um dos grupos, o grupo controlo, constituído por 13 doentes, recebeu a terapêutica imunossupressora convencional; os restantes, pertencentes ao grupo de tratamento, receberam a terapêutica imunossupressora convencional e células estaminais do tecido do cordão umbilical.

O resultado das análises sanguíneas realizadas após o tratamento revelou melhorias significativas na função hepática e ao nível do sistema imunitário nos doentes do grupo de tratamento, em comparação com os do grupo controlo. Além disso, de acordo com o resultado das biópsias, os doentes do grupo de tratamento apresentaram uma estrutura hepática mais conservada e com menos sinais de inflamação, não se registando também efeitos adversos associados ao tratamento com células estaminais.

Bruna Moreira, investigadora no departamento de I&D da Crioestaminal lembra que “em doentes transplantados, a toma crónica de imunossupressores torna-se obrigatória, para evitar a rejeição do órgão transplantado”. Assim, e tendo em conta que “a medicação é muito agressiva e aumenta a probabilidade do desenvolvimento de tumores”, para além de que cerca de 20-40% dos doentes experienciarem rejeição do transplante, a investigadora defende que “é importante desenvolver novas estratégias terapêuticas para prevenir a rejeição dos órgãos transplantados e diminuir a dose de agentes imunossupressores utilizada”.

“As células estaminais mesenquimais presentes no tecido do cordão umbilical têm propriedades regenerativas, anti-inflamatórios e imunomoduladoras, que têm sido estudadas no âmbito do tratamento de várias doenças autoimunes e prevenção da rejeição de transplante de órgãos. E, efetivamente, os resultados deste estudo demonstram que a administração de células estaminais do tecido do cordão umbilical é capaz de diminuir a inflamação, podendo ajudar a suprimir a rejeição aguda em transplantados hepáticos”, conclui.

Em Portugal estima-se que cerca de 10% da população apresente problemas de fígado, e que, todos os anos, morram cerca de 2.000 pessoas com cirrose hepática.

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