Remuneração e horários na base da insatisfação dos médicos do SNS
12/12/2017 15:02:32
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Remuneração e horários na base da insatisfação dos médicos do SNS

O estudo “A carreira médica e os factores determinantes da saída do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, divulgado ontem pela Universidade do Porto, mostra que um terço dos médicos foram trabalhar em exclusivo para o privado e que quase metade dos jovens médicos ponderam emigrar após concluir o internato de especialidade. Na origem desta tendência estão a remuneração desadequada e a ausência de perspetivas de progressão.

“É notório que a saída de médicos do SNS não se prende com o abandono do exercício da Medicina, mas sim com a procura de melhores condições para o exercício da atividade médica", começa por explicar a Prof.ª Doutora Marianela Ferreira, investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, citada pela TSF. Já o bastonário da Ordem dos Médicos, Prof. Doutor Miguel Guimarães deixa um alerta: “é urgente encontrar soluções para não se continuar a perder o capital humano do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

A maioria dos médicos do Norte que participaram no estudo – cerca de três quartos do total – está descontente com as condições de trabalho e muitos optam por abandonar o SNS. A motivação principal prende-se com a busca de melhores condições para o exercício da profissão. Assim, “antecipam a reforma, saem para o setor privado e, especialmente os mais novos, para emigrar”, pode ler-se no comunicado de imprensa da Ordem dos Médicos. “A apreciação negativa do contexto do SNS deve-se, sobretudo, às longas jornadas de trabalho, à falta de oportunidades de progressão e à remuneração insuficiente”, continua. Concretamente, os números mostram que 43% dos 812 profissionais que responderam ao inquérito saíram para a reforma, enquanto 7% decidiu ir exercer medicina no estrangeiro.

A desilusão é mais visível entre os profissionais mais jovens: só um terço dos internos diz que "provavelmente" ou "definitivamente" ficará no sector público em Portugal; e quase metade admite a possibilidade de emigrar.

A carga horária, a remuneração e a falta de oportunidades de progressão na carreira são os principais fatores que impulsionam a saída para o privado. Cerca de dois terços dos médicos especialistas inquiridos na primeira fase da investigação – 60,5% – admitiram estar insatisfeitos ou muito insatisfeitos com o excesso de horas de trabalho. O número sobe (74,1%) quando está em causa o descontentamento face ao tempo disponível para a família, amigos ou lazer.

A remuneração é outra das razões apontadas para justificar a preferência pelo setor privado: 76,7% estão insatisfeitos ou muito insatisfeitos com o rendimento auferido. Simultaneamente, quase metade dos inquiridos considerou ainda que os descansos compensatórios legais não são respeitados e um quarto admitiu que ultrapassa o horário de trabalho estipulado todos os dias.

Finalmente a falta de perspetivas de evolução na carreira reforça a insatisfação generalizada, com 63,3% dos médicos insatisfeitos ou muito insatisfeitos.

 

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