"O Estado da Saúde da União Europeia": o caso português
"O Estado da Saúde da União Europeia": o caso português

No âmbito de trabalhos conjuntos desenvolvidos entre a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e o Observatório Europeu de Sistemas e Políticas de Saúde, foi traçado o "Estado da Saúde na União Europeia". O relatório divulgado recentemente revela que o estado de Saúde da população portuguesa melhorou consideravelmente ao longo da última década. As pessoas vivem mais tempo, mas a qualidade de vida relacionada com a saúde nem sempre conheceu melhorias, em especial após os 65 anos.

Elaborado pela equipa portuguesa do Observatório Europeu de Sistemas e Políticas de Saúde, o Perfil de Saúde de Portugal aponta para um aumento da esperança de vida à nascença em mais de quatro anos entre 2000 e 2015. Atualmente nos 81,3 anos, a esperança média de vida em Portugal é quase meio ano superior à média da União Europeia. Contudo, alerta o relatório, “o ritmo desta melhoria não foi acompanhado por outras dimensões importantes da saúde. Menos de metade dos portugueses considera-se de boa saúde, verificando-se disparidades substanciais por escalão de rendimentos”.

Quanto às principais causas de morte em Portugal, destacam-se as doenças cardiovasculares entre as mulheres, e o cancro no caso dos homens. Em 2014, as doenças cardiovasculares estiveram na origem de um terço do total de mortes entre as mulheres, enquanto o cancro foi responsável 29 % do total de mortes nos homens. Adicionalmente o documento nota que a morte por doenças respiratórias atinge também taxas elevadas em Portugal. Entre 2000 e 2014, a doença de Alzheimer outras formas de demência, subiram impuseram-se como a sexta causa de morte no país, ocupando atualmente o sexto lugar.

Quanto aos fatores de risco para a Saúde, o relatório “Estado da Saúde na União Europeia: a Saúde em Portugal” refere que um quarto do peso da doença deve-se a fatores de risco comportamentais, entre os quais se destacam o tabagismo, o consumo de álcool, os hábitos alimentares e a inatividade física. Ainda assim, as estatísticas mostram que a percentagem de adultos que fumam em Portugal tem vindo a diminuir desde 2000 sendo, atualmente, a quarta mais baixa da União Europeia. Pelo contrário, “Portugal é obeso, quase um ponto percentual acima da média da UE”, registando cerca de um obeso por cada seis adultos.

Entre as principais conclusões do estudo encontra-se ainda o impacto da crise económica no setor da saúde, em que as medidas consistiram, entre outras, “na redução dos salários dos profissionais de saúde, em cortes na despesa pública com medicamentos e na revisão dos preços praticados com os prestadores privados”. As práticas médicas foram igualmente visadas, com a introdução de orientações clínicas.

Conforme se lê no site da Direção-Geral da Saúde, trata-se de um projeto com a duração de dois anos que agrega dados factuais e informações sobre sistemas de saúde de forma comparativa, tendo por base indicadores de saúde nos países da União Europeia. A informação está organizada de modo a fornecer dados nas áreas de sistemas de saúde, perfil de saúde e políticas nacionais dos diferentes Estados-membros, facilmente interpretáveis, para profissionais de saúde, grupos de interesse e decisores políticos.

Consulte o documento completo, aqui.


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