Citado em comunicado de imprensa, Alexandre Lourenço, presidente da APAH, alerta para a necessidade de desenvolver a rede de cuidados continuados de forma a combater este problema: “Pela primeira vez quantificámos a dimensão dos internamentos inapropriados por motivos sociais revelando-se que apesar de existir muito a fazer internamente (por exemplo ao nível da melhoria da gestão das e readequação da resposta a uma população cada vez mais envelhecida), os hospitais não podem resolver esta questão isoladamente, sendo necessário desenvolver a rede de cuidados continuados e politicas ativas de apoio às famílias e cuidadores informais para apoio à população acima dos 65 anos”.
A recolha de dados do BIS, uma iniciativa da APAH que conta com o apoio institucional do Ministério da Saúde, conclui que 655 camas, o equivalente a 5% das camas disponíveis, em 79% dos hospitais do SNS, estão ocupadas por internamentos sociais. Mais de metade destes casos localizam-se na região de Lisboa e Vale do Tejo (52%) e, nesta região, a média de tempo dos internamentos inapropriados encontra-se na ordem dos 92 dias.
No documento enviado às redações, a APAH revela que para a generalidade dos hospitais auscultados, a média de dias de internamento inapropriado está nos 67,2, o que corresponde a uma despesa de 16,5 milhões de euros. Assim, ao final de um ano, os internamentos inapropriados por motivos sociais têm um impacto superior a 68 milhões de euros para o Estado.
O BIS revela ainda que os episódios de internamentos sociais são, maioritariamente, de origem médica (75%), seguindo-se os cirúrgicos (23%) e outros não classificados (2%). O género feminino está em maioria, com uma percentagem de 52% (face aos 48% do género masculino).
Quando às idades, 28% correspondem a pessoas entre os 18 e os 65 anos, 34% referem-se ao intervalo entre os 65 e os 80 anos e 37% dizem respeito a internamentos de utentes com mais de 80 anos, e apenas 1% respeita a pessoas com idade inferior a 18 anos.
Até ao momento não existiam dados quantitativos nacionais sobre o fenómeno de internamentos sociais que permitissem atuar sobre o problema. O objetivo da APAH, com o suporte da EY, é a monitorização periódica deste fenómeno, para desenvolver ações conjuntas para minimizar o seu impacto.













