“Eliminar a hepatite C em Portugal e na Europa é possível até 2030”, dizem os especialistas
13/10/2017 17:24:00
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“Eliminar a hepatite C em Portugal e na Europa é possível até 2030”, dizem os especialistas

Durante a tarde de ontem, vários membros do governo, médicos, associações de doentes e grupos de ativistas estiveram reunidos em Bruxelas para discutir a eliminação da hepatite C em Portugal, num evento promovido pela associação Hepatitis B&C Public Policy Association. As conclusões apontam para a possibilidade de daqui a pouco mais de 10 anos, a doença estar erradicada não só em Portugal, mas na Europa. No final da sessão as várias entidades presentes na reunião assinaram o “Manifesto pela Eliminação da Hepatite C”.

De acordo com a Hepatitis B&C Public Policy Association, ao assinarem o “Manifesto pela Eliminação da Hepatite C”, os signatários do comprometem-se a tornar este objetivo uma prioridade clara de saúde pública a ser perseguida a todos os níveis; a assegurar que doentes, grupos da sociedade civil e outras partes interessadas sejam diretamente envolvidas no desenvolvimento e implementação de estratégias de eliminação de hepatite C; a prestar especial atenção à ligação entre a hepatite C e a marginalização social; e, finalmente a introduzir uma Semana Europeia de Consciência sobre a Hepatite.

 

Uma filosofia europeia para pôr fim à doença

Prof Dr Tato Marinho 718faContactado pela News Farma após ter sido divulgado o conteúdo da reunião e do documento assinado em Bruxelas, o Prof. Doutor Rui Tato Marinho esclareceu que este documento “vem colocar a hepatite C na ordem do dia.” “Estar a ser debatido no Parlamento Europeu enfatiza a sua importância para a Saúde pública europeia”, destacou o vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG). O especialista referiu ainda que neste momento existem “armas” que permitem reduzir muito o impacto da hepatite C na qualidade de vida dos doentes.

No mesmo sentido, em comunicado de imprensa, a Hepatitis B&C Public Policy Association esclarece que a eliminação do vírus da hepatite C foi tornada possível por avanços terapêuticos recentes, que tornaram o vírus curável na maioria dos casos. “As taxas de cura evoluíram de 6%, em 1991, para mais de 90% em 2014”, lê-se no documento enviado às redações. No entanto, alerta para necessidade de os países desenvolverem “abordagens e estratégias holísticas para melhorar o conhecimento geral, aumentar os testes para pessoas em risco e encaminhar as pessoas infetadas a cuidados de saúde específicos”.

A título pessoal, o médico congratula esta política de união entre as várias entidades envolvidas no processo – legisladores, médicos, associações de doentes, entre outros. “Penso que esta filosofia devia ser aplicada mais vezes pelo bem comum”.

 À margem do Encontro Nacional de Atualização em Infeciologia, a decorrer no Porto, a Dr.ª Isabel Aldir partilhou com a News Farma a sua opinião relativamente a este momento de acordo entre os vários stakeholders envolvidos no processo de eliminação da hepatite C. “É consensual que temos de continuar a fazer um investimento em termos de diagnóstico, de estratégias de rastreio adaptadas à situação epidemiológica do país e ligação dessas pessoas aos cuidados de Saúde”, defende a diretora do Programa Nacional para as Hepatites Virais da Direção Geral da Saúde.

 

 

Portugal empenhado em cumprir o objetivo

O Prof. Doutor Fernando Araújo, secretário de Estado Adjunto e da Saúde e um dos membros do governo presente na cimeira, sublinhou que Portugal teve “extraordinários progressos” na abordagem à hepatite C nos últimos anos e garantiu que governo português está “profundamente empenhado” em eliminar a epidemia até 2030. “E acreditamos que iremos atingir esse objetivo antes dessa data”, avança.

Também o Prof. Doutor Carlos Zorrinho, deputado do Parlamento Europeu e anfitrião do evento, destacou, citado em comunicado de imprensa, que esta cimeira foi possível “não apenas pela consciência da importância do problema em Portugal, mas também porque os serviços de saúde e as associações de pacientes portugueses têm criado um vibrante dialogo procurando encontrar as melhores soluções”.

Já o Prof. Doutor Ricardo Batista Leite acrescenta que “no seguimento da liderança que Portugal assumiu em termos de acesso sustentável ao tratamento universal em 2015, existe agora a necessidade de se assumir a eliminação da hepatite C como um objetivo de saúde pública”, referindo nomeadamente, a “necessidade de desenvolver programas dirigidos, juntamente com as associações não-governamentais da sociedade civil, particularmente para populações específicas como reclusos, pessoas que injetam drogas e migrantes”.

Luís Mendão, presidente do GAT- Grupo de Ativistas em Tratamentos, comentou: “Portugal deu passos gigantes na sua resposta à hepatite C desde fevereiro de 2015”. Quanto aos restantes desafios para garantir a eliminação da doença diz estarem relacionados com “melhor conhecimento, prevenção e rastreio baseados no conhecimento, nos direitos humanos e no acesso universal ao tratamento a custo comportável” – “tudo isto é fazível com liderança política”. O também diretor do European AIDS Treatment Group e da Coalition Plus garantiu que as autoridades Portuguesas podem contar com o apoio da sociedade civil para atingir os objetivos.

Esta foi a segunda cimeira europeia dedicada à problemática da eliminação da hepatite C. A primeira aconteceu em fevereiro do ano passado, também em Bruxelas, e na qual foi apresentado o Manifesto agora assinado.


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