SPEO alerta: patologia não tem medicamentos comparticipados
SPEO alerta: patologia não tem medicamentos comparticipados

A obesidade tem um “grande impacto nos sistemas de saúde” mas não tem medicamentos comparticipados. O alerta é deixado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), no âmbito do Dia Mundial de Combate à Obesidade que se assinala na próxima quarta-feira, dia 11 de outubro. A presidente da Sociedade, Prof.ª Doutora Paula Freitas, chama a atenção para uma patologia que deve ser olhada numa “perspetiva global”.

“A obesidade é uma doença com um grande impacto na saúde pública e nos sistemas de saúde. Mas apesar de termos um novo fármaco, este não é comparticipado. Aliás, nunca houve nenhum que o fosse no nosso país”, começa por referir a médica, citada em comunicado de imprensa. A especialista esclarece que apesar de os medicamentos não serem “um milagre”, capaz de erradicar a doença, “são muito importantes para o seu combate”. “Perdas de peso da ordem dos 5 ou 10% traduzem-se em melhoria ou mesmo reversão das comorbilidades associadas à obesidade, como a diabetes, hipertensão arterial, apneia, problemas articulares, etc. Claro que é preciso que haja sempre, por parte do doente, uma alteração do estilo de vida. Por isso acho que deveria haver uma comparticipação condicionada por esta mudança”, conclui a Prof.ª Doutora Paula Freitas.

 

Uma doença que afeta adultos e crianças em Portugal

De acordo com os dados do Inquérito Nacional de Saúde (2014), em Portugal mais de metade da população (52,8%) com 18 ou mais anos, o equivalente a 4,5 milhões de pessoas, tem excesso de peso ou é obesa. Os números vão ainda mais longe e estendem-se à infância, fazendo de Portugal um dos países da Europa com maior prevalência de obesidade infantil. Segundo a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) 28,5% das crianças portuguesas, entre os 2 e os 10 anos, têm excesso de peso e, destas, 12,7% são mesmo obesas.

A presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade alerta para a necessidade de olhar para esta patologia “numa perspetiva mais global”, “uma vez que ainda há muitos doentes que são tratados pelas doenças associadas, como a diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, apneia do sono, entre outras, sem que se resolva aquilo que as causa, ou seja, a obesidade”, justifica.

A especialista aproveita a efeméride para chamar a atenção para outra falha, neste caso a falta de nutricionistas e fisiologistas do exercício físico nos centros de saúde, capazes de prescrever quer o plano alimentar, quer o exercício certo para cada doente, tal como se faz com a terapêutica medicamentosa. “Os médicos aconselham os doentes a fazer caminhadas, a inscrever-se no ginásio, etc. Mas todos deveriam ter acesso a um fisiologista do exercício físico, de modo a ter uma prescrição de exercício à medida da sua condição física e das doenças concomitantes”, revela.

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