Artrite reumatoide: upadacitinib alcança resultados de 1.ª linha positivos em estudo de fase 3
19/09/2017 14:31:33
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Artrite reumatoide: upadacitinib alcança resultados de 1.ª linha positivos em estudo de fase 3

A AbbVie anunciou terem sido alcançados resultados de primeira linha positivos com o ensaio clínico SELECT-BEYOND de fase 3 que avalia upadacitinib (ABT-494), um inibidor seletivo de JAK1 oral experimental, em doentes com artrite reumatoide (AR) moderada a grave que não apresentaram uma resposta adequada ou apresentaram intolerância ao tratamento com DMARD biológicos (DMARDb).

Os resultados mostraram que, após 12 semanas de tratamento, ambas as doses de administração diária única de upadacitinib (15 mg e 30 mg) cumpriram os objetivos primários do estudo, resposta ACR20 e baixa atividade da doença (LDA). Todos os objetivos secundários foram igualmente alcançados com ambas as doses. Upadacitinib não está aprovado pelas autoridades reguladoras, com segurança e eficácia ainda não estabelecidas.

“Estamos muito satisfeitos com os resultados positivos alcançados com upadacitinib no ensaio SELECT-BEYOND. A proporção de doentes que alcançaram remissão clínica na semana 12 e 24 é particularmente interessante, apesar das respostas inadequadas às terapêuticas biológicas anteriores”, refere o Dr. Michael Severino, vice-presidente executivo do departamento de investigação e desenvolvimento e diretor científico da AbbVie. “Em conjunto com os resultados anteriores obtidos no SELECT-NEXT, estes dados vêm sustentar ainda mais o potencial de upadacitinib como opção terapêutica significativa para os doentes com artrite reumatoide. Continuamos a tirar partido do nosso estatuto como líderes na área da Imunologia, à medida que vamos avançando no programa de desenvolvimento para o uso de upadacitinib num leque abrangente de doenças imunomediadas”, acrescenta o especialista.

A artrite reumatoide é uma doença crónica e debilitante que afeta cerca de 23,7 milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar dos progressos no tratamento da artrite reumatoide, muitos doentes continuam sem alcançar o objetivo de remissão ou de baixa atividade da doença.

“Este ensaio vem fortalecer os resultados de estudos anteriores com upadacitinib em doentes com resposta inadequada à terapêutica biológica. Para estes doentes, as opções terapêuticas são limitadas existindo ainda necessidades clínicas por responder”, explica o Dr. Mark Genovese, professor de Imunologia e Reumatologia na Universidade de Stanford e investigador no estudo. “Mais de metade dos doentes tratados com upadacitinib alcançou uma baixa atividade da doença após a semana 24. Estes resultados, em doentes difíceis de tratar, sustentam ainda mais o potencial de upadacitinib como nova opção terapêutica na artrite reumatoide”.

Descriminação dos resultados

Os resultados após a semana 12 mostraram que, entre os doentes que receberam uma dose oral de toma diária única de 15 mg ou 30 mg de upadacitinib, foi alcançada uma resposta ACR20/50/70 em 65/34/12% dos doentes com a dose de 15 mg, respetivamente, e de 56/36/23% com a dose de 30 mg, respetivamente, em comparação com 28/12/7% obtidos no grupo do placebo. Estes resultados foram estatisticamente significativos em comparação com placebo em todas as comparações, exceto na resposta ACR70 na dose de 15 mg.

Além disso, uma percentagem significativamente superior de doentes tratados com upadacitinib com ambas as doses alcançou os objetivos de LDA e remissão clínica na semana 12, em comparação com doentes que receberam placebo. Quarenta e três e 42% dos doentes dos grupos de 15 mg e 30 mg, respetivamente, alcançaram baixa atividade da doença, em comparação com 14% dos doentes que receberam placebo. 29% e 24% dos doentes dos grupos de 15 mg e 30 mg, respetivamente, alcançaram remissão clínica, em comparação com 10% dos doentes que receberam placebo.

Os resultados continuaram a ser encorajadores ao longo da semana 24. Dos doentes tratados com upadacitinib desde o início do estudo, foi alcançada uma resposta ACR20/50/70 em 62/43/22% dos doentes com a dose de 15 mg, e em 59/43/24% com a dose de 30 mg, na semana 24. 52% dos doentes que receberam qualquer uma das doses de upadacitinib alcançaram baixa atividade da doença. 32% e 35% dos doentes dos grupos de 15 mg e 30 mg, respetivamente, alcançaram remissão clínica. Não é possível fazer comparações com o placebo na semana 24, pois todos os doentes do grupo receberam upadacitinib 15 mg ou 30 mg a partir da semana 12.

Neste estudo, o perfil de segurança de upadacitinib foi consistente com o reportado previamente nos ensaios clínicos de fase 2 e no ensaio clínico SELECT-NEXT de fase 3. Não foram detetados novos sinais de segurança. Durante o período controlado com placebo, ocorreram acontecimentos adversos graves em 5/7/0% dos doentes nos grupos de 15 mg/30 mg/placebo, respetivamente. Foram notificadas duas mortes durante o estudo. Uma de um doente no grupo da dose de 15 mg, sendo a causa da morte desconhecida. A segunda morte foi de um doente no grupo da dose de 30 mg que se apresentou com febre e diarreia, insuficiência cardíaca subsequente e possível embolia pulmonar (EP) durante o internamento. Incluindo o caso acima referido, foi notificado um total de dois casos de EP durante o período controlado com placebo. Nenhum caso de trombose venosa profunda (TVP) foi notificado durante o período controlado com placebo. No ensaio de fase 3 anterior, o SELECT-NEXT, não ocorreram casos de TVP ou EP. Ao longo do programa SELECT RA, incluindo nos períodos controlados com placebo e de extensão, a taxa de TVP e EP mantém-se consistente com a taxa de base para a população de doentes com AR.

Serão apresentados mais resultados do SELECT-BEYOND, o segundo de seis estudos do programa de ensaios clínicos SELECT RA, numa reunião médica a realizar futuramente, sendo posteriormente publicados numa publicação revista por pares.

A AbbVie continua a avaliar o potencial de upadacitinib em diversas patologias imunomediadas. Prosseguem os ensaios de fase 3 de upadacitinib na artrite psoriática, encontrando-se ainda em investigação a sua aplicação no tratamento da doença de Crohn, da colite ulcerosa, da espondilite anquilosante e da dermatite atópica.


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