Estudo liderado por português revela como induzir a formação de vasos sanguíneos no coração
24/07/2017 16:33:28
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Estudo liderado por português revela como induzir a formação de vasos sanguíneos no coração

Um estudo internacional liderado pelo Dr. Henrique Girão da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) descobriu uma estratégia inovadora para promover a formação de novos vasos sanguíneos no coração, usando exossomas. A descoberta, divulgada hoje pela UC, abre as portas para novas abordagens terapêuticas no tratamento de doenças cardiovasculares.

Neste estudo, os investigadores demonstraram que o “conteúdo” dos exossomas, pequenas vesículas sinalizadoras que permitem a comunicação e partilha de informação entre células, órgãos e tecidos, varia com as condições a que o coração é sujeito. Ou seja, a informação veiculada pelos exossomas é determinada pelos estímulos, ou danos, induzidos no coração, como é o caso da isquemia, que leva ao enfarte do miocárdio.

O Dr. Henrique Girão começa por explicar que as células do músculo cardíaco “quando deixam de ser devidamente alimentadas, por privação de nutrientes e oxigénio, devido à obstrução de um vaso sanguíneo, emitem pedidos de ajuda com o objetivo de estimular o crescimento de novos vasos sanguíneos que possam compensar os que se encontram bloqueados ou disfuncionais, permitindo desta forma restabelecer a circulação sanguínea e a função cardíaca”. E acrescenta: “ começámos por identificar o tipo de mensagem que é emitido pelas células do músculo cardíaco, quando expostas a condições adversas. Depois, demonstrámos que são exossomas ricos em determinadas moléculas reguladoras, denominadas miRNA, os responsáveis por induzir os mecanismos que levam ao crescimento de novos vasos sanguíneos, num processo designado angiogénese”.

A descoberta já foi testada em ratinhos de laboratório, aos quais foram aplicados exossomas libertados pelas células danificadas. Ao fim de um mês, os corações dos animais sujeitos a este tratamento apresentavam mais vasos sanguíneos, registando-se uma melhoria da função cardíaca. Assim, a equipa descobriu que exossomas libertados por células do músculo cardíaco sujeitas a isquemia têm a capacidade de libertar sinais que promovem o crescimento de novos vasos sanguíneos no coração.

Esta descoberta, já publicada na Cardiovascular Research, pode “abrir portas a abordagens terapêuticas inovadoras para tratar doenças do coração provocadas por disfunção vascular como, por exemplo, no caso do enfarte do miocárdio, a principal causa de morbilidade e mortalidade em todo o mundo. Para além de doenças cardíacas, esta abordagem poderá ser útil em outras patologias em que a terapia passe pela promoção do crescimento de novos vasos”, observa o Dr. Henrique Girão.

O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e por fundos europeus e teve a participação de investigadores do Centro de Estudos de Doenças Crónicas (CEDOC) da Universidade Nova de Lisboa, Instituto de Medicina Molecular (IMM), Imperial College London e da Faculty of Medicine - University of Geneva.


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