SUSTAIN 6: Uma promessa que se confirma
14/06/2017 16:19:56
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SUSTAIN 6: Uma promessa que se confirma

Novos dados do estudo SUSTAIN 6 (Trial to Evaluate Cardiovascular and Other Long-term Outcomes With Semaglutide in Subjects With Type 2 Diabetes (SUSTAIN-6) apresentados na 77.ª reunião Anual da American Diabetes Association, que decorreu em San Diego, dão uma explicação plausível para o agravamento da retinopatia daibética observada nos doentes tratados como agonista do receptor do GLP-1 semaglutido. A rápida redução da glicemia em doentes com retinopatia e não um efeito específico do fármaco são a explicação mais provável.

O SUSTAIN-6 foi o segundo dos ensaios com agonistas do recetor GLP-1 apresentar resultados positivos na redução de eventos cardiovasculares em diabéticos tipo 2 com alto risco de doença cardiovascular. Os doentes tratados com o semaglutido semanal tiveram uma redução do risco de desfecho cardiovascular em 2 anos de 26% em comparação com o placebo.

Na apresentação dos resultados no ano passado na EASD houve uma preocupação com o agravamento da retinopatia nos tratados com semaglutido. A hemorragia do vítreo, a cegueira, as situações que requereram tratamento com um agente antiproliferativo intravítreo ou fotocoagulação foram significativamente maiores entre aqueles que receberam semaglutido, ocorrendo em 3% dos doentes tratados com o fármaco. Em comparação, no grupo placebo o seu uso foi de 1,8%, isto é, um aumento de 76% (P = 0,02).

Na ADA foi apresentada uma análise mais aprofundada do estudo, sugerindo três possíveis razões para o desequilíbrio: os doentes com complicações de retinopatia estavam pior controlados no início do estudo, tinham mais retinopatia do que a população global do estudo e tiveram uma mais rápida redução da HbA1c durante o ensaio, independentemente do braço de tratamento (ativo ou placebo). O efeito deletério da rápida redução da HbA1c é um fenómeno já bem conhecido desde o estudo DCCT em diabéticos tipo 1.

Embora no estudo LEADER com liraglutido já se tivesse observado um aumento não significativo da retinopatia (taxa de risco de 1,15; P = 0,33), como a redução da HbA1c foi mais forte do que no LEADER, (cerca de 2%) esta é a explicação mais provável.

Estes dados sugerem que deveremos ser mais cautelosos na redução da HbA1c em doentes com retinopatia estabelecida: começar com uma dose menor e ser mais cauteloso na normalização da glicemia.

Se se retirarem os 79 doentes com retinopatia no início do estudo do total de 3297 dos participantes, as taxas de retinopatia entre os sem complicações à partida eram baixas e comparáveis às observadas no grupo placebo. Estes 79 doentes tinham uma duração da diabetes de 17,5 anos, em comparação com 13,9 anos para a população em geral do estudo. A sua média de HbA1c foi de 9,4%, contra 8,7% no total. Também era mais provável estarem a ser tratados com insulina, 75,9% vs 58,0%.

Para além disso, 83,5% dos 79 com complicações de retinopatia apresentaram história médica de retinopatia diabética em comparação com apenas 29,4% da população total do estudo e também foi mais provável terem retinopatia proliferativa (29,1% vs. 6,1%) e ter sido tratados com laserterapia ou sido tratados com agentes antiangiogénicos intravítreos (17,7% vs 3,4%).
Podemos concluir que ao iniciar um tratamento altamente eficaz, como o semaglutido, devemos rastrear e tratar a retinopatia antes de o usar.


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