A Prof.ª Doutora Helena Canhão, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR) e co-investigadora principal do estudo, refere que “os resultados do EpiReumaPt enfatizam e confirmam a carga das espondiloartrites em Portugal, sobretudo no que se refere à pior qualidade de vida dos doentes, aos níveis de reforma antecipada e também ao consumo dos recursos de Saúde. Conhecendo melhor esta realidade, é clara a necessidade de aumentar a sensibilização para estas patologias, ajustando as políticas de Saúde associadas com a alocação de recursos que permitam uma intervenção mais precoce".
Tanto a EA como a AP têm um maior impacto na qualidade de vida do doente quando comparadas com outras doenças reumáticas, reportando piores resultados nas dimensões: dor corporal, Saúde geral, vitalidade, função social, desempenho emocional e Saúde mental. As perturbações psiquiátricas são uma das comorbilidades mais frequentes nestes doentes: 13% reportam sintomas de ansiedade/depressão.
A esfera profissional é também muito afetada, apesar da maioria dos doentes se encontrar numa idade com vida profissional ativa, 13% referem ter faltado ao trabalho nos últimos 12 meses. De salientar que os doentes com artrite psoriática reformam-se ainda mais cedo: 11% dos doentes com EA e AP tiveram que se reformar devido à doença e 20% com AP tiveram que o fazer antecipadamente.
Os doentes com EA apresentam um maior consumo de recursos de Saúde do que os com AP, sendo que 9,4% estiveram hospitalizados nos últimos 12 meses, face a 4,1% com AP. Mais doentes com EA necessitaram, também, de cuidados domiciliários no último ano (3,5%).
As espondiloartrites, patologias inflamatórias crónicas, afetam 1,6% da população, ou seja, cerca de 160 mil portugueses por cada 100 mil habitantes, sendo que a EA tem uma prevalência de 0,5% (50 mil doentes) e a AP de 0.3% (30 mil doentes).













