Peritos recomendam rastreio da FA em idosos para reduzir o risco de AVC e morte
09/05/2017 17:14:28
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
Peritos recomendam rastreio da FA em idosos para reduzir o risco de AVC e morte

O rastreio de fibrilhação auricular (FA) assintomática em cidadãos com 65 anos ou mais e o seu tratamento com recurso a anticoagulantes pode prevenir anualmente milhares de AVC a nível global, segundo refere um painel de reputados peritos numa edição do jornal “Circulation”, propriedade da “American Heart Association”, publicada hoje, 9 de maio. Uma colaboração internacional, AF-SCREEN, está por trás deste impulse global para introduzir programas nacionais de rastreio para a condição cardíaca frequente.

Cerca de 10% dos AVC isquémicos são provocados por FA que é detetada pela primeira vez ao ocorrer o AVC. A FA assintomática subjacente a estes AVC não é incomum, e pode ser facilmente detetada por uma simples avaliação manual da pulsação, ou através de dispositivos de ECG portáteis que permitem um diagnóstico em menos de um minuto.

Dados estatísticos da World Heart Federation evidenciam que 15 milhões de pessoas sofrem um AVC por ano, quase seis milhões morrem, e outros cinco milhões ficam permanentemente incapacitadas.

“O rastreio generalizado da FA assintomática em pessoas com 65 anos ou mais é uma estratégia custo-efetiva para reduzir os AVC e a incapacidade por eles causada, e que pode salvar vidas. No entanto, tal não é ainda amplamente reconhecido nas orientações clínicas”, diz a Prof.ª Doutora Alves da Costa, professora de Saúde pública no Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, investigadora do Centro de investigação interdisciplinar Egas Moniz (CIIEM) e membro da colaboração internacional AF-SREEN.

“Existe ainda evidência robusta que a deteção da FA antes do desenvolvimento de sintomas, e o seu tratamento com anticoagulantes orais e outras terapêuticas, pode reduzir grandemente o risco de AVC, e reverter parcialmente o risco acrescido de morte associada,” explica a investigadora.

Foi demonstrado que o rastreio pode detetar 1 a 3% de casos de FA não diagnosticada em pessoas com idades compreendidas entre os 65 e os 75 anos de idade.

Considerando que é extremamente simples detetar a FA, e que os resultados negativos podem ser substancialmente modificados pelo tratamento, a colaboração AF-SCREEN acredita que o rastreio é uma estratégia razoável e custo efetiva para a identificação de ritmos cardíacos alterados nos idosos nas comunidades, bem como nas clínicas.

O White Paper apela aos governos em todo o mundo para introduzirem os rastreios a todos os idosos, a partir dos 65 anos. Os programas poderão ser desenvolvidos através de médicos de família, farmácias ou mesmo nas comunidades, e poderão ser efetivados através da avaliação manual da pulsação, da monitorização da pressão arterial, ou idealmente através de um dispositivo de ECG portátil, a melhor forma de oferecer um diagnóstico de FA fiável.

Factos sobre a FA e o seu rastreio e tratamento

- A FA é responsável por um terço de todos os AVC;

- 27% dos AVC relacionados com FA (equivalentes a 10% de todos os AVC) não são detetados antes do AVC porque a FA é frequentemente assintomática (sem sintomas aparentes e não reconhecida pela pessoa com FA);
- Os AVC relacionados com FA são maiores e mais graves e causam maior incapacidade que os AVC não relacionados com FA;
- O rastreio generalizado da FA assintomática em pessoas com 65 anos ou mais seria uma forma potente de prevenir os AVC e a carga da doença associada, porque os AVC relacionados com AF através do tratamento com anticoagulantes orais podem ser prevenidos.

A AF-SCREEN é, atualmente, composta por mais de 130 cardiologistas, neurologistas, médicos de família, economistas da Saúde, enfermeiros, farmacêuticos e organizações de apoio à pessoa com doença provenientes de 33 países. O White Paper foi escrito por 60 membros do AF-SCREEN.


Pesquisa

Publicações

Prev Next

Médico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Farmacêutico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Hematologia e Oncologia, 24, dezembro 2018

15.º Congresso Português de Diabetes, n.3

  SIDA, 37, janeiro/fevereiro 2019