Alemtuzumab demonstra eficácia na melhoria da incapacidade em doentes com EMSR
05/05/2017 16:09:32
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Alemtuzumab demonstra eficácia na melhoria da incapacidade em doentes com EMSR

A reanálise dos dados do ensaio clínico CARE-MS II, um estudo de fase 3, demonstrou que o alemtuzumab, terapêutica da Sanofi Genzyme, pode diminuir o grau de incapacidade pré-existente em doentes com esclerose múltipla surto-remissão (EMSR) com falência anterior a terapêuticas modificadoras da doença (TMD), de acordo com um novo trabalho científico publicado na revista Neurology, publicação da American Academy of Neurology (AAN).

Nesta avaliação, publicada sob o título “Alemtuzumab melhora a incapacidade pré-existente em doentes com EMSR ativa”, o objetivo dos investigadores consistiu em caracterizar os efeitos do tratamento com alemtuzumab nas avaliações de melhoria de incapacidade em doentes com EMSR cuja resposta a outros tratamentos tinha sido inadequada (presença de pelo menos um surto no ano anterior). O alemtuzumab é um anticorpo monoclonal humanizado (anti-CD52) capaz de reprogramar a resposta imune dos linfócitos B e T em doentes com EMSR.

Os autores do estudo consideram que o principal objetivo do tratamento da esclerose múltipla (EM) é a diminuição da progressão da incapacidade dos doentes, resultado normalmente medido pelo “atraso do agravamento confirmado da incapacidade“ (CDW, confirmed disability worsening). No entanto, começam a aparecer novos objetivos terapêuticos, como a redução da atrofia cerebral ou a “melhoria confirmada da incapacidade” (CDI, confirmed disability improvement), um padrão de eficácia terapêutica mais exigente do que o da diminuição da acumulação de incapacidade.

Os investigadores concluíram que os doentes tratados com alemtuzumab apresentaram maior probabilidade de melhorar a sua classificação na EDSS (escala vulgarmente utilizada para medir a incapacidade física na EM) em comparação com os doentes tratados com interferão beta-1a SC, outro medicamento aprovado para a EMSR. Uma proporção significativamente mais elevada destes doentes apresentou uma melhoria confirmada da incapacidade aos seis meses. Além disso, a probabilidade de melhoria – numa escala mais sensível que inclui também medidas de funções cognitivas e de destreza manual e deambulação, Escala Multiple Sclerosis Functional Composite (MSFC) – foi também mais elevada nos doentes tratados com alemtuzumab. Estes doentes apresentaram ainda melhoria em relação à situação basal nas classificações da Escala de Acuidade Visual de Letras com Baixo Contraste de Sloan (SLCLA) relativamente aos doentes tratados com interferão beta-1a SC.

Os resultados do CARE-MS II demonstraram que os doentes com EMSR com resposta inadequada a TMD anteriores apresentaram melhorias significativas em vários parâmetros de incapacidade quando tratados com o alemtuzumab, por oposição ao tratamento com Interferão beta-1a SC.

“Os resultados aqui apresentados vêm não só confirmar a capacidade do alemtuzumab de abrandar a acumulação da incapacidade, como também demonstrar um benefício superior ao melhorar a incapacidade pré-existente em doentes com EMSR com resposta inadequada a TMD anteriores”, concluíram os investigadores. “Estes dados vêm somar-se às evidências que apoiam um perfil de benefício-risco favorável do alemtuzumab no tratamento da EMSR”.

A ideia é também corroborada pelo Prof. Doutor Luís Cunha, diretor do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), que afirma que “o alemtuzumab já foi administrado em doentes portugueses com resultados bastante positivos. Aguardamos que o medicamento fique acessível definitivamente aos doentes para podermos continuar a disponibilizar este tratamento aos doentes que dele precisam. É para nós, profissionais de Saúde, frustrante saber que temos medicamentos inovadores com resultados diferenciados e que os doentes não podem beneficiar dos mesmos e receber o tratamento adequado”.

A Dr.ª Lívia de Sousa, também neurologista do CHUC, mostra-se entusiasmada com os resultados apresentados pelo alemtuzumab e lembra a importância de tratar a EM desde os primeiros sintomas, enquanto ainda é possível conter, ou até mesmo em alguns casos, reverter a progressão da incapacidade consequente da doença. E lembra que o “alemtuzumab tem mostrado ser eficaz em casos particularmente agressivos de EM que não responderam a fármacos já disponíveis no mercado português. O carácter heterogéneo da doença faz com que seja imperioso termos várias opções terapêuticas para que cada um dos casos e dependo do estadio e da agressividade da doença venha a beneficiar com a medicação mais ajustada à sua condição”.

Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com EM e em Portugal mais de oito mil.


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