Estudo revela que 90% dos doentes com IC têm outras patologias associadas
Estudo revela que 90% dos doentes com IC têm outras patologias associadas

Hoje, 5 de maio, assinala-se o Dia da Insuficiência cardíaca (IC). Um estudo realizado pelo Centro de Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (CEMBE) em colaboração com o Centro de Estudos Aplicados (CEA) da Católica Lisbon School of Business and Economics conclui que mais de 90% dos doentes com IC têm, pelo menos, uma outra doença relevante, sendo a pressão arterial elevada a mais frequente.

Em 2014, os doentes com IC acompanhados em cuidados de Saúde primários tinham uma idade média de 77 anos e mais de metade (58%) eram mulheres. A esmagadora maioria (93%) tinha pelo menos uma outra doença relevante associada, sendo as mais frequentes a pressão arterial elevada (81%), diabetes (32%) e doença isquémica do coração (27%). Os doentes realizaram, em média, cinco consultas com o médico de família e a quase totalidade consumiu medicamentos relacionados com a sua doença cardiovascular, durante esse ano. Em contrapartida, cerca de um terço (35%) não realizou quaisquer exames médicos relacionados com a doença cardiovascular, no contexto do seu seguimento nos cuidados de Saúde primários. Em média, o custo de seguimento destes doentes nos cuidados de Saúde primários foi estimado em 552 euros por ano, sendo a medicação o principal componente deste custo. O consumo de recursos foi mais elevado no grupo etário dos 70 aos 79 anos de idade.

Esta análise incidiu sobre uma população de 1,9 milhões de utentes que teve pelo menos uma consulta com o médico de família na Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo durante 2014. Destes, vinte cinco mil (1,4%) estavam registados com o diagnóstico de IC. Este valor é cerca de 30% do esperado de acordo com a prevalência da doença em Portugal. A diferença pode ser explicada pelo facto do diagnóstico de IC não ter sido registado (sub-registo) ou realizado (subdiagnóstico) em cuidados de Saúde primários, ou ainda, pelo facto de o doente não ter tido nenhuma consulta com o seu médico de família durante 2014.

O estudo, financiado por uma bolsa de investigação da Novartis, foi apresentado no Congresso Europeu de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Europeia de Cardiologia, que decorreu entre os dias 29 de abril e 2 de maio, em Paris.

Na realização do estudo participaram ainda investigadores da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizada dos Olivais (Agrupamento de Centros de Saúde Lisboa Central), e da Unidade de Insuficiência Cardíaca do Departamento de Medicina Interna e Hospital de Dia do Hospital de São Francisco Xavier (Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental) e NOVA Medical School, Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.


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