Angelini promove conversa aberta sobre depressão com o Prof. Stephen Stahl
15/03/2017 15:41:45
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Angelini promove conversa aberta sobre depressão com o Prof. Stephen Stahl

A Angelini trouxe a Portugal um dos nomes mais ilustres no campo da Psicofarmacologia, e em especial na área da depressão: o Prof. Stephen Stahl, presidente do Neuroscience Education Institute, Califórnia. O especialista liderou a sessão intitulada “Conversas abertas sobre depressão”, que reuniu mais de 200 especialistas no Hotel da Penha Longa, em Sintra, a 18 de fevereiro. Veja a fotogaleria.

Em entrevista, o especialista partilhou com a News Farma algumas das suas perspetivas sobre a abordagem clínica à depressão, bem como fatores externos que podem estar associados à expressão desta doença.

Com uma carreira com mais de 30 anos, o Prof. Stephen Stahl tem assistido a alguns importantes acontecimentos da área da Psiquiatria. Analisando a evolução da abordagem à depressão, o especialista lembra o estado da arte desta doença no início da sua carreira, em meados dos anos 80. “A introdução de novos fármacos, nomeadamente os SSRIs (selective serotonin reuptake inhibitors) e os SNRIs (serotonin-norepinephrine reuptake inhibitors)” foram, segundo o especialista, “os grandes marcos da época”. Quanto aos dias de hoje, o Prof. Stephen Stahl realça as novas abordagens no campo da depressão que considera serem promissoras, como a estimulação magnética transcraniana (TMS) e a utilização de ketamina parentérica.

Recordando as várias visitas a Portugal, a última há cerca de sete anos, o Prof. Stephen Stahl, o psiquiatra acredita que Portugal tem o privilégio de contar com condições climatéricas agradáveis e muitas horas de sol, considerando que “o estilo de vida e o impacto cultural têm muita influência na expressão da depressão”. E dá um exemplo concreto: “o Japão tem um quarto das pessoas do Estados Unidos e o mesmo número de suicídios associados a depressão”. O especialista refere ainda que “uma cultura que tenha menos obesidade, mais atividade física, mais luz solar, mais otimismo e mais apoio para que as pessoas não cometam suicídio” tem certamente mais condições para que os números da depressão se mantenham baixos.

O Prof. Stephen Stahl afirma que algumas depressões são cognitivas. “Se as pessoas têm uma visão negativa do futuro, uma visão negativa delas mesmas e uma visão negativa do mundo, não têm como não ficar deprimidas”. Nesses casos, o especialista refere que o tratamento não tem necessariamente de passar por fármacos, mas deve ser mais orientado para uma abordagem cognitiva.

Por fim, o especialista deixa alguns conselhos aos médicos que lidam com doentes com depressão na sua prática clínica diária, começando por referir a importância de se tratar a doença o mais rapidamente possível: “na depressão, é como se o cérebro estivesse a arder, e se o médico o deixar queimar e só depois o tentar tratar, a destruição será maior”. O especialista recomenda ainda que os médicos não tratem o doente apenas para aliviar parcialmente os seus sintomas, mas sim com vista à resolução total do problema, caso contrário “o fogo estará a arder mais baixo, mas continuará a queimar”.

O Prof. Stephen Stahl é professor adjunto de Psiquiatria na Universidade da Califórnia, San Diego, presidente do Neuroscience Education Institute e ainda professor visitante honorário na Universidade de Cambridge. Autoridade reconhecida internacionalmente em Psiquiatria, publicou mais de 500 artigos científicos, editou 12 livros didáticos e escreveu pessoalmente 35 livros de texto, incluindo os dois livros mais vendidos no campo da Psiquiatria e Psicofarmacologia nos últimos vinte anos. Tem contribuído significativamente para a investigação no campo da Psicofarmacologia, especialmente na área da serotonina, esquizofrenia e depressão.

Carolina Silva

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