Primeiro medicamento português contra o cancro testado com sucesso
05/01/2017 16:48:03
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Primeiro medicamento português contra o cancro testado com sucesso

O ensaio clínico de prova de conceito do primeiro medicamento oncológico português acaba de revelar resultados muito promissores no tratamento do cancro avançado da cabeça e do pescoço.

“Nesta fase, o medicamento investigacional provou ser seguro, bem tolerado pelos doentes e eficaz no tratamento do cancro avançado da cabeça e pescoço. A terapêutica fotodinâmica com a molécula redaporfin demonstrou uma redução significativa do tecido tumoral, na área irradiada. Nos doentes tratados com uma dose única de 0.75mg/kg, a dose eficaz, os efeitos secundários observados foram controlados com medidas terapêuticas simples e, assim, não foram relevantes”, revela o Prof. Doutor Lúcio Lara Santos, oncologista cirúrgico do Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO-Porto).

Os resultados permitem prever que esta terapêutica será muito útil no tratamento dos tumores da cabeça e pescoço, associados ou não a outros medicamentos anti oncológicos, seja a quimioterapia ou os novos medicamentos como a imuno-oncologia, e ainda nos tumores resistentes às terapêuticas comuns.

“O medicamento passou uma das fases mais arriscadas do seu desenvolvimento, a entrada no homem, e a regressão do tumor, verificada na sequência do tratamento, abre o leque de opções terapêuticas dos doentes que já estavam em fase de cuidados paliativos. Os resultados parecem ainda demonstrar que esta terapêutica pode vir a ser favorável no tratamento de outros tumores sólidos, o que representa um avanço enorme para o nosso país e uma nova esperança para milhares de doentes”, revela o Dr. Sérgio Simões, presidente da Luzitin, empresa participada do grupo Bluepharma, responsável pelo desenvolvimento do medicamento.

Os próximos passos do desenvolvimento da moléculo redaporfin envolvem a realização de um ensaio clinico pivotal, em colangiocarcinoma, um tipo raro de cancro das vias biliares, geralmente diagnosticado numa fase muito tardia da doença, com um prognóstico muito reservado e que tem vindo a aumentar em Portugal e no mundo.

Na sequência deste novo ensaio clínico, em 2021, poderá ser possível falar numa submissão de pedido de autorização de introdução ao mercado, à Agência Europeia de Medicamentos (EMA), e obter a respetiva aprovação do medicamento redaporfin para a sua comercialização na Europa.


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