Placebo reduz dor lombar crónica mesmo quando os doentes sabem que o estão a tomar
28/11/2016 14:42:52
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Placebo reduz dor lombar crónica mesmo quando os doentes sabem que o estão a tomar

Um estudo, publicado na revista científica internacional da especialidade PAIN, desenvolvido pela Prof. Doutora Cláudia Carvalho, investigadora do ISPA-Instituto Universitário, revela que o uso de placebo “honesto” – informar os doentes que eles estão a tomar uma cápsula que contém uma substância inativa - reduz a dor e a incapacidade associadas à lombalgia crónica.

De acordo com a investigadora, “este estudo é o primeiro a demonstrar benefícios potenciais do tratamento com placebo “honesto” nos quadros de lombalgia crónica”.

Participaram neste estudo 97 doentes com lombalgia crónica há pelo menos três meses. Os doentes foram aleatoriamente distribuídos por dois grupos durante três semanas: o tratamento habitual ou o tratamento habitual acrescido de placebo. Mas, contrariamente aos estudos habituais em que o doente não sabe se está ou não a tomar um placebo, neste estudo os doentes foram informados que iam tomar um placebo, comprimido sem princípio ativo, e a razão pela qual esse comprimido os podia ajudar. Obtiveram-se medidas de dor e de incapacidade associada à dor que foram comparadas entre os grupos. Ao fim de três semanas, os doentes que seguiram o tratamento habitual puderam escolher a possibilidade de tomarem placebo. 83 doentes completaram o estudo.

Os resultados mostraram uma maior redução da dor nos doentes que fizeram o tratamento com placebo. Numa escala de 1 a 10, os doentes que tomaram placebo revelaram uma melhora de 1.5 pontos na escala da dor em comparação com os doentes do grupo que não tomaram placebo, não tendo estes últimos revelado melhoras significativas. O tratamento com o placebo honesto reduziu a dor e a incapacidade relatadas inicialmente em cerca de 30%. Os doentes no grupo de tratamento habitual tiveram idênticas melhoras após terem tomado placebo. Não foram relatados efeitos adversos em nenhum dos grupos.

O uso de placebo “honesto”, incluídas explicações sobre o modo como o efeito placebo pode ser despoletado, ultrapassa o conflito ético de não transparência com os doentes de não saberem que estão a tomar medicação sem princípio ativo.

Existe uma pressão para o desenvolvimento de tratamentos eficazes para a lombalgia crónica, uma das causas de maior incapacidade em todo o mundo. Os estudos convencionais de ensaios clínicos “duplamente cegos” descrevem frequentemente que os tratamentos prescritos para as dores lombares não são mais efetivos do que os placebos. De acordo com os resultados deste estudo, o efeito placebo poderá ser usado para melhorar os tratamentos da lombalgia crónica.


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