SPG e a UEG com relação “amistosa” e “biunívoca”

17/10/16
SPG e a UEG com relação “amistosa” e “biunívoca”

Está a decorrer desde sábado, dia 15, a 24.ª edição da United European Gastroenterology Week (UEG Week 2016). A propósito, o presidente da congénere portuguesa, a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), salienta em entrevista à News Farma a relação “amistosa” e “biunívoca” entre a SPG e a UEG. O posicionamento da Gastrenterologia portuguesa, através da ampla participação em sessões e apresentação de trabalhos e posters, são o espelho do seu reconhecimento no patamar internacional. Leia a entrevista ao Prof. Doutor José Cotter.

 

News Farma (NF) | Como avalia a relação entre a United European Gastroenterology (UEG) e a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG)?
Prof. Doutor José Cotter (JC) | Trata-se de uma relação amistosa, biunívoca, em que a UEG promove, através dos seus canais e eventos, algumas das atividades da SPG e dos seus membros, ao mesmo tempo que esta contribui para divulgar muitas das posições e iniciativas da primeira. Além disso, tem havido participação institucional de vários gastrenterologistas da UEG em diversos eventos científicos organizados pela SPG.


NF | Como se posiciona a SPG junto da sua congénere europeia? Existem projetos em comum ou protocolos de cooperação futura entre as duas entidades científicas?
JC | Estando a SPG integrada na UEG, sendo seu membro de pleno direito, e tendo diversos membros ocupando posições institucionais com influência executiva, está automaticamente presente a posição portuguesa naquela organização. Quanto a projetos em comum, eles existem na perspetiva abrangente que a UEG corporiza e em que a SPG está, enquanto seu membro, inserida. De notar que continuaremos a pugnar pela participação regular de “experts” da UEG nas nossas reuniões científicas.


NF | É de notar a presença de especialistas portugueses na apresentação de posters. Como avalia esta crescente participação?
JC | Não só de posters, mas também participando de outras formas, como por exemplo na apresentação de trabalhos, que pelo seu valor científico intrínseco, foram selecionados para apresentação como comunicação oral. A crescente participação portuguesa deve-se ao facto de progressivamente a UEG Week ser reconhecida como o grande fórum europeu anual da Gastrenterologia, com forte impacto científico e pedagógico.


NF | O interesse pelos especialistas nacionais é uma realidade neste Congresso, sendo uma das comitivas com maior representação. É um indicador de posicionamento da Gastrenterologia portuguesa nos padrões internacionais?
JC | De forma muito importante é um posicionamento qualitativo, uma vez que Portugal se tem situado sempre no grupo dos países que, em termos absolutos, mais trabalhos científicos sistematicamente tem submetido para apresentação neste evento. É mesmo o país que “per capita”, visto por este prisma, mais “pujança” científica demonstra. O que muito nos orgulha e demonstra perante todos a qualidade profissional e científica dos gastrenterologistas portugueses.


NF | Quais os principais temas que, na sua opinião, espera ver tratados no UEG Week 2016, que teriam maior retorno para a prática clínica nacional?
JC | A UEG Week adota a Gastrenterologia em toda a sua abrangência, como se impõe. Não é uma reunião monotemática, permitindo aos congressistas optar por assistir e participar nas sessões que individualmente mais lhes interessam. Mas essencialmente é uma reunião demonstrativa de que a Gastrenterologia é uma especialidade vasta, desmistificando algumas tendências, perniciosas para a especialidade, de alguns que pretendem reduzir a sua atividade clínica a um leque muito reduzido de patologias ou órgãos, contrariando a verdadeira abrangência e diferenciação do que é a Gastrenterologia.


NF | Por fim, quais são as suas expectativas para esta edição?
JC | É expectável que seja mais uma reunião de alto nível europeu e mundial, em que Portugal, através da participação de muitos dos seus gastrenterologistas, consiga sair ainda mais prestigiado no panorama da Gastrenterologia internacional. Estou certo que assim acontecerá! Por outro lado, o debate de ideias e a consequente atualização só poderão trazer benefícios, que se traduzem na melhoria clínica dos cuidados prestados, que é sempre o objetivo final.

 

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