Deficiência de ferro e doença inflamatória intestinal: uma relação subestimada

16/09/16
Deficiência de ferro e doença inflamatória intestinal: uma relação subestimada

Discutir o impacto da deficiência de ferro também na área da Gastrenterologia foi um dos objetivos da 3.ª edição da European Iron Academy, que decorreu em Berlim a 12 e 13 de setembro. No âmbito desta especialidade, coube ao co-chair Dr. Satish Keshav apresentar os dados mais recentes sobre esta problemática nas doenças do foro gástrico.

Na sessão destinada à imprensa que antecedeu o evento, o gastrenterologista começou por expor uma variedade de condições gastrointestinais que se encontram associadas à presença de anemia provocada por deficiência de ferro, localizadas tanto no trato gastrointestinal superior como no inferior, nomeadamente úlcera péptica, doença celíaca, esofagite, colite ulcerosa, pólipos ou cancro do cólon, doença de Crohn, entre outras.

E como enunciou o cho-chair do encontro, são diversos os estudos demonstram que a anemia e/ou a deficiência de ferro são frequentes nos individuos com doença gastrenterológica, nomeadamente na doença inflamatória intestinal. Referindo-se à prevalência desta condição na Europa, o especialista revelou que um quarto dos doentes tem anemia e mais de metade tem deficiência de ferro. Apesar dos números, o Dr. Satish Keshav advoga que tanto os médicos como os doentes continuam a subestimar o impacto da deficiência do ferro neste tipo de patologias.

Atualmente, as guidelines da European Crohn's and Colitis Organisation (ECCO) recomendam o rastreio de deficiência de ferro e anemia nos casos da doença inflamatória do intestino. Também de acordo com a ECCO, a administração intravenosa de ferro deverá ser considerada como tratamento de primeira linha para os doentes com doença inflamatória do intestino ativa, que apresentem intolerância prévia à administração via oral, que apresentem níveis de hemoglobina abaixo dos 10g/dL, bem como em pacientes que necessitem de agentes estimulantes da eritropoiese.

A propósito das mais-valias da terapêutica intravenosa, o Dr. Satish Keshav salientou que a administração de ferro via intravenosa pode estar associada a menores taxas de hospitalizações. Tal ficou demonstrado num estudo efetuado pelo especialista no qual analisou 4.024 doentes com deficiência de ferro e anemia e com diagnóstico de doença gastrointestinal, que receberam uma prescrição para administração de ferro. Foi prescrito ferro por via oral a 3.143 doentes, dos quais 81% necessitaram de se deslocar novamente ao hospital após 30 dias. Por sua vez, dos 881 doentes que receberam uma prescrição de ferro via intravenoso, apenas 34% necessitaram de recorrer aos cuidados hospitalares após 30 dias.

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