Novos avanços no tratamento da malária
28/01/2016 17:12:00
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Novos avanços no tratamento da malária

A equipa da investigadora Maria Manuel Mota, do Instituto de Medicina Molecular (iMM Lisboa) acaba de publicar, na edição deste mês da conceituada revista Nature Communications, um estudo que indica a descoberta de um novo mecanismo usado pelo parasita da malária durante o processo de infeção, o que levará ao desenvolvimento de novos tratamentos contra a malária.

Este estudo levado a cabo pela equipa da diretora executiva e investigadora do iMM Lisboa contou com a colaboração de Henry Staines investigador na Universidade de St George, em Londres.

A ligação entre a levedura e a malária parecia ser improvável até os investigadores do iMM Lisboa e St George’s utilizarem a levedura como um modelo para investigar o processo através do qual o ferro é controlado pelo parasita da malária no corpo humano. Esta relação resultou na descoberta de uma importante via de transporte de ferro.

“O parasita da malária depende da presença de ferro para sobreviver no hospedeiro. No entanto, níveis de ferro superiores aos normais podem ser altamente tóxicos”, explica a Maria M. Mota, coautora sénior do estudo.

“Este estudo vai permitir identificar novas maneiras de atacar o parasita, ao mesmo tempo que permite compreender como as atuais drogas anti-malária funcionam,” explicou o Henry Staines, coautor sénior do estudo. “Esta informação é extremamente importante porque este tipo de drogas, como por exemplo, combinações terapêuticas baseadas em artemisinina, não estão a ter os níveis de eficiência desejados em zonas como o Sudeste Asiático, o que se pode transformar num problema grave”.

A equipa de investigadores usou uma estirpe mutante de levedura, na qual a sequência para uma determinada proteína transportadora de ferro foi removida do DNA. “Devido à incapacidade de produzir esta proteína transportadora de ferro, a estirpe de levedura mutante não consegue crescer na presença deste micronutriente”, disse o Henry Staines. Para confirmar a hipótese formulada pelos cientistas, a sequência de DNA do parasita, correspondente à proteína de transporte, foi introduzida na estirpe mutante de levedura, resultando no crescimento normal da mesma na presença de ferro. “Criámos um parasita de malária mutante que não contém o gene da proteína em questão, o que deu origem a um número reduzido de parasitas no fígado, o primeiro local onde este se multiplica e, consequentemente, um número reduzido de parasitas no sangue, considerada a fase em que indivíduos infetados manifestam sintomas da doença,” acrescentou Ksenija Slavic, investigadora da equipa do iMM Lisboa que levou a cabo este estudo.

Dentro das células que constituem o fígado, chamados hepatócitos, químicos que se ligam ao erro melhoraram a forma como os parasitas mutantes se conseguiram multiplicar. “Descobrimos que os parasitas mutantes continham um teor de ferro elevado dentro dos glóbulos vermelhos, o que devido à toxicidade do mesmo, explica os reduzidos números que observámos. Ambas as descobertas significam que esta proteína transportadora ajuda o parasita a tolerar o ferro. Este novo conhecimento é extremamente importante, pois pode ajudar na produção de novas terapêuticas contra o parasita da malária, uma necessidade eminente,” explicou Maria Manuel Mota.

Os investigadores planeiam agora estudar o impacto de fármacos anti-maláricos que utilizam ferro em parasitas mutantes.

Segundo a World Health Organisation (WHO), a malária mata cerca de 600 mil pessoas todos os anos. Estes números podem aumentar exponencialmente se as terapias existentes deixarem de funcionar, uma vez que o parasita se vai tornando resistente aos fármacos existentes.


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