COVID-19 e a relação com as doenças cardiovasculares

10/05/22
COVID-19 e a relação com as doenças cardiovasculares

Pessoas que testaram positivo à COVID-19 enfrentam riscos mais elevados de desenvolverem de várias formas doenças cardiovasculares (DCV). As conclusões surgem de um novo relatório protagonizado pela Daiichi Sankyo Europe Company, além de atentarem ainda que a carga das DCV na saúde deverá aumentar devido às implicações de longo prazo de COVID-19, destacando a necessidade de priorizar o atendimento à comunidade de doentes com DCV em todos os sistemas de saúde europeus.

O relatório reviu as evidências disponíveis para perceber o impacto que a COVID-19 teve em doentes já com DCV, na prestação de cuidados cardiovasculares e nas implicações de 'longo COVID' para os sistemas de saúde no futuro. Com foco nas regiões da Europa Ocidental, em particular França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido, as principais conclusões do relatório baseiam-se nas evidências disponíveis e discussões com especialistas em Cardiologia, Neurologia e Saúde Pública, para identificar as áreas que necessitam de intervenção para atender às crescentes necessidades da comunidade com DCV.

Se recuarmos no tempo, em 2020 mais de 60 milhões de pessoas viviam com DCV na União Europeia e cerca de 13 milhões de novos casos foram diagnosticados nesse mesmo ano. A prevalência de fatores de risco subjacentes ao estilo de vida, como pressão arterial e colesterol altos, baixa atividade física, obesidade e diabetes, aumentaram nas últimas décadas. O risco de desenvolver DCV também aumenta com a idade e, à medida que a população da Europa continua a envelhecer, com a previsão de haver 155 milhões de europeus com mais de 65 anos em 2040, a incidência de DCV deverá aumentar consideravelmente. No entanto, 80% das doenças cardíacas prematuras e AVC são evitáveis, demonstrando uma premência de se lidar com esta crise de saúde.

Além da crescente prevalência dos fatores de risco de DCV, o relatório Economist Impact confirma que as pessoas que testaram positivo à COVID-19 correm um risco ainda maior de sofrer de DCV e eventos de saúde relacionados, como insuficiência cardíaca, enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e arritmia. De acrescentar ainda que foi possível denotar uma subnotificação substancial de mortes devido à COVID-19 em todo o mundo.

Em janeiro de 2022, estimava-se que havia mais 18,8 milhões de mortes durante a pandemia do que o esperado, acima dos 5,44 milhões de óbitos atribuídos diretamente à COVID-19 em dezembro de 2021. Estas mortes adicionais deverão incluir não só pessoas que tiveram COVID não detetado, como também óbitos por outras causas, onde as condições que levaram à morte foram amplificadas ou causadas pela própria COVID-19 ou pelas dificuldades de acesso aos cuidados de saúde durante a pandemia.

Ao nível das implicações indiretas de COVID-19 nos sistemas de saúde e nos cuidados com DCV houve uma sobrecarga na capacidade limitada dos sistemas de saúde, combinado com o medo do doente da exposição ao vírus.

Em análise ao relatório, o Dr. Amitava Banerjee, consultor de Cardiologia e Professor de Clinical Data Science da University College London, explicou: “Estamos apenas a ver a ponta do iceberg quando se trata do impacto a longo prazo de COVID-19 nas DCV, com mais dados a surgir à medida que o tempo passa”.

As conclusões do relatório indicam ainda que os desafios decorrentes de COVID longo podem aumentar a carga de DCV a curto e a médio prazo, exigindo a implementação de estratégias preventivas para se alinhar com um cenário de saúde em evolução. 

“Como médicos, estamos a assistir, neste momento, a pessoas em estágios muito mais avançados de DCV, o que significa que os cuidados de que necessitam são muito mais desafiantes e os resultados favoráveis menos prováveis. Para prevenir eventos fatais e melhorar os resultados para os doentes, devemos colocar um foco maior na identificação de fatores de risco e na deteção precoce de sintomas de DCV. Ao fazer isso, também podemos aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde já sobrecarregados”, concluiu o especialista.

O relatório Economist Impact demonstra a urgência dos sistemas de saúde reorientarem esforços para atender as necessidades médicas não atendidas das DCV, que constitui a principal causa de morte na Europa.

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