Remdesivir reduz a necessidade de ventilação em cerca de metade dos doentes com COVID-19

25/02/22
Remdesivir reduz a necessidade de ventilação em cerca de metade dos doentes com COVID-19

A Gilead Sciences anunciou que os resultados do CATCO, do Estudo Solidarity da Organização Mundial de Saúde (OMS), ocorrido no Canadá, publicados no Canadian Medical Association Journal (CMAJ), demonstram que remdesivir reduz a necessidade de ventilação em cerca de metade dos doentes com COVID-19.

No CATCO foram aleatorizados 1282 doentes, de 52 hospitais no Canadá, 634 tratados com remdesivir (RDV) e 648 tratados com standard of care (SoC), entre agosto de 2020 e abril de 2021. A mortalidade hospitalar foi de 18,7% nos doentes tratados com RDV e de 22,6% nos doentes tratados com SoC (RR 0.83, IC 95% 0.67-1.03). A mortalidade aos 60 dias foi de 24,8% nos doentes tratados com RDV e de 28,2% nos doentes tratados com SoC (IC 95% 0.72-1.07).

A necessidade de ventilação invasiva em doentes não ventilados invasivamente na baseline foi de 8,0% no braço de RDV vs 15% no braço de SoC (RR 0.53, IC 95% 0.38-0.75), o que corresponde a uma redução de 47% na necessidade de ventilação invasiva nos doentes tratados com RDV. A média de dias livres de oxigenoterapia e ventilação aos 28 dias foi de 15,9 e 21,4 no braço de RDV vs. 14,2 e 19,5 no braço de SoC (p=0.006 e 0.007), respetivamente. Não se verificaram diferenças em termos de eventos de segurança entre os dois braços em análise.

Estes resultados vêm reforçar aquela que é a atual indicação de remdesivir e, consequentemente, os dois estudos que estão na base da mesma, o estudo ACTT-1 do NIAID do NIH e o estudo PINETREE, promovido pela Gilead. O ensaio ACTT-1 demonstrou que o remdesivir melhorou significativamente o tempo de recuperação e também reduziu a probabilidade de progressão da doença, em comparação com o grupo placebo. O estudo PINETREE avaliou a eficácia e segurança de um curso de três dias de remdesivir IV (Intravenoso) na redução da taxa de hospitalização ou morte por todas as causas entre doentes não hospitalizados com COVID-19 em alto risco de progressão da doença.

Assim sendo, a indicação, sustentada pelos resultados dos estudos mencionados, reforça a potencial utilização de remdesivir num elevado espectro de doentes hospitalizados, desde os doentes assintomáticos ou com manifestação ligeira a moderada da doença, com fatores de risco para progressão desfavorável, aos doentes com formas de apresentação e de evolução mais grave, desde que não ventilados invasivamente no início do tratamento. Sendo este o espetro de perfis que representa a maioria dos doentes atualmente hospitalizados, remdesivir, demonstrado pelos seus resultados, pode contribuir para o alívio da sobrecarga do sistema de saúde hospitalar.

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