Estudo indica que 51% dos doentes com dor crónica não adere à terapêutica
18/11/2021 16:42:35
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Estudo indica que 51% dos doentes com dor crónica não adere à terapêutica

Investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluíram, num estudo que envolveu 562 doentes com dor crónica, que um ano após o início do tratamento, 51% das pessoas não aderiram à terapêutica prescrita.

"Não aderentes não quer dizer que não fazem o tratamento. A não adesão terapêutica implica o seguir determinada recomendação médica, naquela dosagem e frequência, é um processo que se inicia, se implementa e que persiste ao longo do tempo", esclareceu a investigadora da FMUP/CINTESIS, Prof.ª Doutora Rute Sampaio.

O estudo acompanhou doentes em cinco unidades de dor crónica do distrito do Porto – Hospital São João, Hospital Santo António, IPO-Porto, Hospital de Gaia e Hospital de Matosinhos – que participaram em quatro momentos: uma avaliação inicial; uma avaliação após sete dias; uma avaliação ao fim de seis meses; e uma avaliação ao fim de um ano.

"Verificámos que ao longo do tempo houve um aumento da não adesão terapêutica", afirmou, revelando que após sete dias da avaliação inicial 37% dos participantes já não tomavam a medicação. O estudo mostrou ainda que ao fim de um ano mais de metade dos participantes (51%) já não aderiam à terapêutica prescrita.

Depois de uma análise de conteúdo, os investigadores categorização 13 razões para a não adesão terapêutica, na sua maioria de índole intencional.

A maioria da não adesão é intencional e as principais razões apontadas prendiam-se com crenças, a perceção/eficácia, preocupações com efeitos secundários sem os terem, atraso do início da medicação com opioides, alteração da medicação por outros profissionais de saúde e razões económicas", afirmou.

"Há uma diferença entre eficácia e efetividade. Os tratamentos são eficazes no contexto clínico, eles funcionam, mas a efetividade do tratamento é aquilo que não se mede, no dia a dia das pessoas. Os doentes têm de se sentir à vontade para terem toda a informação que pretendem, esclarecer todas as dúvidas e um espaço onde podem transmitir as suas próprias crenças", considerou.

A investigação clínica desenvolvida pela Prof.ª Doutora Rute Sampaio foi distinguida com o Prémio Grunenthal Dor no valor de 7.500 euros.


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