Estudos relacionam doença de Alzheimer com proteína produzida no fígado
08/10/2021 15:23:23
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Estudos relacionam doença de Alzheimer com proteína produzida no fígado

Um estudo publicado recentemente na revista Plos apresentou uma ligação entre a proteína beta-amilóide produzida no fígado e o aparecimento e progressão da doença de Alzheimer. De acordo com os resultados, esta substância tóxica podem contribuir para o desenvolvimento desta doença neurológica.

Existem já alguns trabalhos que relacionam algumas patologias hepáticas à neurodegeneração, esclarecendo como certas substâncias viajam pelo sangue desde este órgão periférico até ao cérebro, e outros projetos que se têm dedicado ao exame mais atento e minucioso sobre o tipo de enzimas e outras proteínas produzidas pelo fígado, relacionando estes sinais com o desenvolvimento da doença. O trabalho agora publicado foca-se numa das principais marcas da doença de Alzheimer, a acumulação de placas ou depósitos de beta-amilóide em excesso no cérebro, mas, desta vez, explora o facto de esta substância também se encontrar noutros locais do corpo e, mais concretamente, no fígado.

“A beta-amilóide também está presente nos órgãos periféricos, e os níveis sanguíneos desta proteína correlacionam-se com a carga amilóide cerebral e com o declínio cognitivo, levantando a possibilidade de que a beta-amilóide produzida perifericamente possa contribuir para a doença”, refere um comunicado de imprensa sobre o estudo liderado pelo Dr. John Mamo, da Universidade Curtin, em Bentley, na Austrália. No entanto, era necessário uma comprovação científica dessa mesma ligação. “Testar essa hipótese tem sido difícil, uma vez que o cérebro também produz beta-amilóide e distinguir a proteína das duas fontes é um desafio”, admitem os autores do trabalho que quiseram enfrentar esta prova.

Para isso, os cientistas recorreram a um modelo animal e usaram ratinhos que produzem beta-amilóide humana mas apenas em células hepáticas. “Mostraram que a proteína era transportada no sangue por lipoproteínas ricas em triglicéridos, tal como acontece nos humanos, e passava da periferia para o cérebro. Descobriram que os animais desenvolveram neurodegeneração e atrofia cerebral, que foi acompanhada de inflamação neurovascular e disfunção dos capilares cerebrais, ambas comummente observadas com a doença de Alzheimer”, relata o comunicado de imprensa.

Os resultados da experiência permitem concluir que a proteína produzida no fígado chega ao cérebro, causando neurodegeneração. Falta, no entanto, determinar qual o peso deste contributo entre os muitos outros fatores que têm sido associados ao aparecimento e desenvolvimento de Alzheimer. 

O artigo nota ainda que estes ratos tiveram “um mau desempenho num teste de aprendizagem que depende da função do hipocampo, a estrutura cerebral que é essencial para a formação de novas memórias”. O investigador Prof. Doutor John Mamo conclui: “Embora sejam agora necessários mais estudos, esta descoberta mostra que a abundância destes depósitos de proteínas tóxicas no sangue poderia ser potencialmente abordada através da dieta de uma pessoa e de alguns medicamentos que poderiam visar especificamente a lipoproteína amilóide, reduzindo assim o risco de desenvolver a doença ou abrandando a progressão da doença de Alzheimer.”

Fonte: Público


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