SPP avisa que inverno pode trazer mais casos de infeção pelo vírus sincicial respiratório e situações mais graves
08/10/2021 15:10:15
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
SPP avisa que inverno pode trazer mais casos de infeção pelo vírus sincicial respiratório e situações mais graves

A Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) alerta para a necessidade de desenvolvimento de campanhas de sensibilização para a prevenção deste tipo de infeções.

O vírus sincicial respiratório (VSR) é um vírus muito frequente e as infeções respiratórias que causa costumam ser, explica a Prof.ª Doutora Inês Azevedo, presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, “comuns, como constipações. No entanto, pode causar doenças graves em populações vulneráveis, nomeadamente em crianças abaixo dos dois anos de idade, onde é o agente causal mais frequente de bronquiolite ou pneumonia vírica”, acrescenta a especialista, que deixa o alerta: “a infeção por COVID-19 veio alterar a epidemiologia da doença, dado que no inverno passado não se verificou o habitual pico. Assim, existe um maior número de crianças que nunca contactou com este vírus e, por isso, é teoricamente possível que se verifique um maior número de casos neste inverno, com maior gravidade”.

São as crianças mais vulneráveis e em maior risco de desenvolver a doença aquelas que mais preocupam, ou seja, “as mais jovens, abaixo dos dois anos de vida e sobretudo as que apresentam fatores de risco, como os prematuros e crianças com doenças crónicas, como cardiopatias congénitas severas, doenças respiratórias crónicas ou doenças neuromusculares”. De tal forma que, para estes grupos de risco, “a Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda a prevenção da infeção através da injeção mensal de anticorpos monoclonais”, explica a Prof.ª Doutora Inês Azevedo. Ou seja, “até ao primeiro ou segundo ano de vida, a prevenção da infeção faz-se pela injeção mensal de anticorpos durante a época de maior incidência, habitualmente de novembro a abril, num total de até cinco tomas”. No entanto, “este ano, excecionalmente, e devido à alteração da sazonalidade da doença, com casos identificados a partir do mês de maio, a DGS antecipou o início da prevenção para setembro”. Uma decisão tomada na sequência de um trabalho conjunto entre a Sociedade Portuguesa de Pediatria, o Instituto Ricardo Jorge e a DGS, “para documentar o aumento invulgar do número de infeções nos meses de verão. Face aos números e à gravidade das infeções, é plenamente justificada a antecipação da época profilática”.

De facto, este é um vírus que, por cá, ocorre habitualmente entre novembro e abril, com pico acentuado no fim de dezembro, “condicionando um elevado número de recursos a consultas urgentes e internamentos. Habitualmente, a bronquiolite aguda, da qual o VSR é o maior responsável, leva ao internamento de cerca de 5 mil crianças por ano”. Mas as medidas que estiveram em vigor no inverno passado, entre as quais o isolamento social, a implementação do teletrabalho e do ensino não presencial, assim como o uso de máscaras “levaram a uma diminuição abrupta de casos de infeção por VSR e vírus da gripe. É plausível que o levantar das restrições tenha levado ao aumento de infeções”, refere a especialista.

Obstrução, corrimento nasal, tosse e febre são os sintomas mais comuns da infeção por este vírus. “No entanto, em crianças mais pequenas, especialmente abaixo do ano de idade, a infeção pode progredir para as vias aéreas inferiores, podendo causar bronquiolite aguda ou pneumonia. Nestas situações, surgem gradualmente sinais de dificuldade respiratória, com cansaço, aumento do trabalho dos músculos respiratórios, respiração acelerada, por vezes pieira (chiadeira) e dificuldades na alimentação”, explica a médica.

Uma infeção que, segundo a especialista, “é de fácil transmissão e geralmente as crianças pequenas adoecem por contacto com crianças em idade escolar ou adultos constipados. A melhor forma de prevenir é o cumprimento estrito das regras de etiqueta respiratória, especialmente a adequada higienização das mãos e a utilização de máscaras pelos contactos próximos quando apresentam sintomas respiratórios. Deve também evitar-se a frequência de espaços fechados com aglomeração de pessoas e a exposição ao fumo do tabaco”.

Apesar dos pais de bebés prematuros, um dos principais grupos de risco para esta infeção e para o qual a profilaxia está indicada, assim como os profissionais de saúde que cuidam destas crianças estarem sensibilizados para esta questão, a Prof.ª Doutora Inês Azevedo considera que são necessárias “campanhas de sensibilização para a prevenção da infeção destinadas a outros profissionais de saúde e à população geral, para proteger não só os prematuros, mas também todas as crianças pequenas sem fatores de risco”. 


Pesquisa

Publicações

Prev Next

Médico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Farmacêutico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Hematologia e Oncologia, 24, dezembro 2018

15.º Congresso Português de Diabetes, n.3

  SIDA, 37, janeiro/fevereiro 2019