Dia do Transplante: Portugal entre os países líderes a nível mundial
20/07/2021 15:07:02
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Dia do Transplante: Portugal entre os países líderes a nível mundial

No âmbito do Dia do Transplante, a Dr.ª Susana Sampaio deu a conhecer o atual panorama da transplantação nacional. Em entrevista à News Farma, a presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação frisou os principais desafios no contexto pandémico e de que forma Portugal pode ainda evoluir na área.

News Farma (NF) | Qual é o atual panorama da transplantação em Portugal?

Dr,ª Susana Sampaio (SS) | Os portugueses devem sentir-se muito orgulhosos, já que nos últimos anos Portugal se tem mantido na linha da frente mundial neste tipo de procedimentos e porque se tem assistido ao aumento dos transplantes de uma forma geral. Nos últimos anos estamos nos lugares cimeiros no que concerne à colheita e mesmo ao número de transplantes renais e hepáticos efetuados.

Temos “disputado” com Espanha o número de dadores por milhão de habitante. Temos estado em segundo ou terceiro lugar a nível mundial.

Para além deste facto, somos capazes de assegurar a transplantação dos principais órgãos: rim, fígado, coração, pulmão, pâncreas e também o transplante de medula e tecidos.

Conseguimos assegurar a imunossupressão aos nossos doentes e garantir uma assistência hospitalar de excelência com ótimos resultados clínicos e de sobrevida do doente e órgão.

 

NF | A pandemia veio agravar este contexto nacional?

SS | Em 2020, o número de órgãos colhidos para transplante caiu 21%, o equivalente a menos 197 órgãos face a 2019, uma redução com maior impacto nos transplantes de fígado e rim, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Português do Sangue e Transplantação, I.P. (IPST).

No entanto, durante a pandemia de COVID-19, Portugal conseguiu ser o quarto país, a nível mundial, no número de dadores por milhão de habitante.

A pandemia teve impacto na redução no número de transplantes, resultado da suspensão da atividade não urgente nos períodos mais críticos da pandemia, provocando não só um atraso na realização de exames e consultas necessárias ao estudo dos potenciais recetores para transplante, como também na sua inclusão em Lista Ativa. Consequentemente houve atraso no estudo de potenciais dadores vivos e na realização deste tipo de cirurgias.

 

NF | Foram necessárias realizar adaptações para o transplante durante a pandemia?

SS | Houve necessidade de adaptação da atividade de seguimento dos doentes transplantados com implementação de consultas não presenciais, criação de circuitos próprios no interior dos hospitais e de fornecimento de medicação imunossupressora. Foi necessário implementar novos procedimentos de segurança nomeadamente, na realização de testes COVID-19 para internamento ou transplante, circuitos de vigilância clínica, circuitos separados para doentes COVID e não-COVID.

 

NF | Portugal ocupou o 4º lugar mundial na taxa de dadores falecidos por milhão de habitantes. Portugal ainda pode evoluir mais neste número? O que é preciso fazer?

SS | O quarto lugar foi obtido o ano passado, ano de pandemia. Portugal já ocupou o segundo lugar a nível mundial. Penso que é possível voltar a este lugar. A implementação da colheita em dador em paragem cardiocirculatória ajudou a aumentar os números da doação. Futuramente, penso que manter a sensibilização dos profissionais de saúde para a problemática da doação e transplantação fará com que estes se mantenham atentos na sinalização aos Gabinetes de Colheita de potenciais dadores. Por outro lado, tem sido preciosa a colaboração do INEM na assistência às vítimas de paragem cardíaca súbita. O transporte rápido até ao hospital com manobras de suporte tem permitido que nas situações em que não se consegue reverter a situação, seja possível a colheita de órgãos com viabilidade para transplantação. Faço notar que nestas situações o objetivo é salvar a vida da pessoa em paragem e que só se avança para a doação quando não se consegue reverter a paragem.

 

NF | E por último, que mensagem de sensibilização gostaria de deixar aos portugueses sobre a importância da doação de órgãos?

SS | Para qualquer sistema de saúde e qualquer país no mundo o transplante é uma área muito importante. É uma técnica disponível para substituir um órgão que se encontre em falência e pode salvar milhares de vidas. Traduz o avanço e a qualidade de saúde.

Quando comparado com algumas técnicas permite melhor qualidade de vida, reabilitação social e profissional e aumento de sobrevida do doente. A doação de órgãos é também doar uma vida.


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