"As prioridades da GSK Portugal passam por fazer com que as pessoas façam mais coisas, se sintam melhor e vivam mais tempo"
15/07/2021 16:57:17
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"As prioridades da GSK Portugal passam por fazer com que as pessoas façam mais coisas, se sintam melhor e vivam mais tempo"

O Dr. Maurizio Borgatta é o novo diretor-geral da GSK Portugal. Em entrevista à News Farma, falou sobre o significado desta recente posição, os desafios e oportunidades adjacentes ao cargo, e a estratégia que pretende adotar para a GSK Portugal. Leia na íntegra.

News Farma (NF) | O que significa para si tornar-se o novo diretor geral da GSK Portugal?

Dr. Maurizio Borgatta (MB) | Significa muito e é algo que me deixa muito orgulhoso e entusiasmado. Não só em termos profissionais, em que é um reconhecimento fantástico da carreira que tenho vindo a desenvolver ao longo dos últimos 15 anos, mas também pelo impacto positivo que sinto poder deixar na organização e na sociedade: quer criando um ambiente organizacional em que as pessoas da GSK podem desenvolver-se e atingir todo o seu potencial, quer na vida dos milhões de doentes que contam com a inovação produzida da GSK para ter uma vida mais longa e com melhor qualidade.

Naturalmente que este sentimento de orgulho e entusiasmo vem acompanhado de uma enorme responsabilidade, principalmente pelo período pandémico que atravessamos, em que a GSK está tão ativamente envolvida, investindo e colocando ao dispor todo o seu conhecimento científico e tecnológico para investigar e desenvolver tratamentos inovadores que ajudem a ultrapassar este momento. No futuro, tal como até agora, iremos continuar a trabalhar de forma muito próxima com todos os stakeholders e com espírito aberto e colaborativo para responder aos desafios que teremos pela frente.

 

NF | O que é que o motivou a aceitar este novo cargo?

MB | Existem várias razões para ter aceite este desafio: pessoas fantásticas, um país maravilhoso e, acima de tudo, um desejo e uma motivação enorme em fazer a diferença.

Há milhões de pessoas que contam connosco e os nossos produtos inovadores e todos na GSK, sem excepção, contribuímos e podemos fazer a diferença e ter um impacto positivo nessas vidas.

Adicionalmente, senti-me motivado pelo desafio de conseguir melhorar as condições de desenvlvimento dos meus colegas e procurar capacitá-los para dar o seu melhor diariamente, enquanto trabalho com as autoridades, os profissionais de saúde e os parceiros de negócio, para facilitar o acesso à inovação da GSK.

 

NF | Que desafios acha que vai encontrar em Portugal?

MB | O mais imediato é, sem qualquer dúvida, a pandemia. Efetivamente, não obstante o processo local de  vacinação estar a avançar a um ritmo muito positivo, vemos que a situação está longe de estar ultrapassada. Isto vem demonstrar a necessidade de termos ao nosso dispor novas terapêuticas para o tratamento da COVID-19, absolutamente fundamentais para gerir a pandemia e tratar os doentes.

A indústria farmacêutica, e a GSK em particular, está dedicada e a trabalhar com todo o foco no desenvolvimento destas novas opções terapêuticas, tal como aconteceu com as vacinas contra a COVID-19.

Recentemente, a Comissão Europeia emitiu uma “Estratégia Terapêutica COVID-19”, que visa acelerar o desenvolvimento contínuo, entrega, acesso e disponibilidade dos novos tratamentos a ser utilizados na luta contra a pandemia, para acelerar o regresso a uma nova normalidade.

Queria, ainda, deixar uma nota positiva e um reconhecimento generalizado a todos os stakeholders envolvidos e empenhados na resposta a este desafio tão complexo e desconhecido, principalmente as autoridades locais e os profissionais de saúde.

Vivemos tempos extraordinários e sem precedentes para a maioria de nós. Este é o tempo dos aliados, dar as mãos e construir pontes que permitam ultrapassar, o melhor e o mais rapidamente possível, este período tão sensível.

Este é o momento, também para reconhecermos a importância da população ter acesso, rápido e efetivo, à inovação terapêutica produzida pela Indústria. Efetivamente, não é suficiente investigar e desenvolver medicamentos e vacinas inovadores, há que garantir que chegam a quem mais precisa. Nesse sentido, vemos que existe uma enorme margem de melhoria no que diz respeito à gestão temporal dos processos de avaliação das tecnologias de saúde. Na área oncológica, por exemplo, vemos com alguma preocupação certos indicadores, como os do estudo “Everyday Counts” da EFPIA, que relevam uma enorme disparidade no acesso dos doentes à inovação, com os doentes portugueses a terem de esperar cerca de 790 dias (mais de dois anos...), em média, para terem acesso a novas terapêuticas oncológicas, enquanto os utentes da Dinamarca aguardam “apenas” 86 dias. 

 

NF | E que oportunidades?

MB | Temos várias oportunidades. A mais imediata é, sem dúvida, a que a pandemia nos trouxe, ao fazer com que todos nós tivéssemos que reinventar a nossa forma de trabalhar. No caso da indústria farmacêutica, com as restrições aos contactos diretos e presenciais com os nossos principais stakeholders, vimo-nos na necessidade de acelerar uma transformação digital que, em circunstâncias normais, teria demorado bastante mais tempo. Isto também veio demonstrar a enorme capacidade de adaptação das pessoas, o que deve ser visto como algo extremamente positivo.

Ao dia de hoje, já conseguimos avaliar o impacto positivo e mais-valias destas novas práticas, altamente valorizadas pelos profissionais de saúde e outros stakeholders, pelo que é uma tendência de evolução a manter.

Por outro lado, também vemos que, em casos de emergência de saúde pública, como a que atravessamos, é possível acelerar procedimentos e processos de aprovação com as autoridades, cumprindo e mantendo todas as exigências regulamentares e de qualidade e segurança, para mais rapidamente se disponibilizar aos profissionais de saúde e à comunidade, os medicamentos e vacinas que precisam.

Efetivamente, esta pandemia deveria constituir uma oportunidade para aprendermos com as boas práticas que emergiram durante este período, como a conjugação de esforços de todas as partes para acelerar os processos de avaliação das novas tecnologias de saúde, para que mais rapidamente possam ser disponibilizadas aos doentes e com um acesso universal e equitativo, principalmente nas áreas de maior necessidade médica.

Estou certo de que o espírito colaborativo, a união e a coesão que temos estado a assistir ao longo deste período constitui, também, uma esperança para que, no futuro, exista uma maior disponibilidade de todas as partes para agilizar os processos de acesso à inovação terapêutica para todas as pessoas que dela necessitam.

 

NF | Não é um desafio acrescido assumir a liderança de uma empresa como a GSK em plena pandemia?

MB | Sem dúvida. É um desafio enorme e, como todos os desafios, traz oportunidades que devem ser encaradas e capitalizadas com um enorme sentido de responsabilidade e espírito positivo.

É inquestionável que a pandemia teve e continua a ter um impacto negativo em todos nós. Muitas pessoas perderam amigos e familiares próximos, outras estão a atravessar momentos difíceis do ponto de vista profissional e social e isto não nos pode deixar indiferentes. Os nossos pensamentos e ações têm de estar com estas pessoas, mas há que manter uma mente aberta e uma atitude positiva para conseguirmos ajudar quem mais precisa e conseguir ultrapassar as adversidades.

Assim, em momentos como estes, é quando é mais necessário os líderes darem o exemplo e serem o motor da mudança que querem ver acontecer. Do meu lado, estou preparado e altamente motivado para tornar isso uma realidade.

Outra oportunidade que temos atualmente – do ponto de vista interno, da GSK enquanto organização – é a transformação e a renovação da ambição da GSK, que se está a preparar para ser uma nova empresa – Nova GSK – de olhos postos no futuro e ainda mais motivada para fazer a diferença na vida das pessoas. A nossa CEO, Dr.ª Emma Walmsley, anunciou recentemente os alicerces dessa Nova GSK, que surgirá após a separação entre a GSK Farma e a GSK Consumer Healthcare, no próximo ano. Estou certo de que esta nova GSK, com um propósito, uma cultura e uma ambição totalmente renovados, terá um impacto muito positivo nos vários países em que a GSK está presente, entre os quais, Portugal.

 

NF | Com mais de 15 anos de experiência profissional e com uma visão de trabalho em vários cantos do mundo, o que acredita vai trazer de novo para Portugal?

MB | Ao longo da minha carreira tenho tido a oportunidade de viver e trabalhar em países e culturas tão diferentes como a Bélgica, China, Alemanha, Reino Unido, Itália, Espanha, Venezuela e, agora, Portugal. Têm sido experiências extremamente enriquecedoras, que me têm permitido crescer e desenvolver-me, enquanto pessoa e profissional. Sinto, por isso, que esta oportunidade chega no momento certo da minha carreira.

Por outro lado, também acredito que este meu background internacional pode contribuir para estimular localmente a diversidade, ajudando a desafiar o status quo e fazer com que as pessoas se sintam motivadas e capacitadas para procurar abordagens diferentes e mais criativas, numa ótica de contínua inovação organizacional.

 

NF | Tendo trabalhado em países e mercados tão distintos como China e Venezuela, que experiências e aprendizagens lhe deram para agora abraçar o desafio de ser diretor geral da GSK Portugal?

MB | Como referi anteriormente, sem sombra de dúvida que todas as aprendizagens e necessidade de adaptação que tive de ter ao longo dos últimos 15 anos, em que trabalhei em três continentes diferentes, dão-me uma “bagagem” cultural que considero uma mais-valia em todos os sentidos, pessoal e profissionalmente.

Por outro lado, também considero que, independentemente do setor ou indústria em que trabalhamos, o mais importante são as pessoas. É fundamental criar um ambiente organizacional em que as pessoas se sintam valorizadas, reconhecidas e permanentemente identificadas com o próposito da sua empresa. É isso que faz com que qualquer um de nós acorde todos os dias motivado e empenhado em dar o melhor de si.

No meu caso, enquanto líder, procuro criar uma cultura organizacional em que os colaboradores sentem que as suas ideias e propostas são valorizadas e que lhes é dado espaço e oportunidade para crescer e propor abordagens criativas e diferenciadoras, criando também uma mentalidade de responsabilização e compromisso com os resultados. Acredito que isso faz a diferença.

Outro aspeto que me parece muito importante é fomentar nas pessoas a capacidade para rapidamente se adaptarem às mudanças. Em alguns dos mercados em que trabalhei – como a América Latina e a Ásia – há enorme instabilidade e volatibilidade nos processos e decisões e isso faz com que as pessoas tenham que ser altamente flexíveis e rápidas na sua adaptação às constantes mudanças na realidade. Acredito que a minha experiência nessas situações pode, também, ser algo positivo e que consiga trabalhar e ajudar os meus colegas nesse processo de crescimento e desenvolvimento.

O mundo, nos dias de hoje, está em permanente mudança e não podemos dar nada como adquirido. Temos que ser ágeis e atuar rapidamente. Compete aos líderes dar o exemplo e ter essa atitude positiva e construtiva.  

 

NF | Qual é a sua estratégia para a GSK Portugal?

MB | As prioridades da GSK Portugal são as mesmas da GSK em todo o mundo e passam, essencialmente, por fazer com que as pessoas façam mais coisas, sintam-se melhor e vivam mais tempo, com base nas três prioridades da GSK: Inovação, Performance e Confiança. Para o conseguirmos, contamos com o apoio e o talento dos nossos profissionais e trabalhamos em conjunto com as autoridades e os profissionais de saúde para conseguirmos fazer chegar ao maior número de pessoas os resultados da nossa ciência e inovação, sejam medicamentos ou vacinas, para conseguimos responder às necessidades de saúde pública.

NF | Quais serão as suas prioridades enquanto responsável máximo da GSK?

MB | As minhas três principais prioridades vão ser: garantir que a nossa inovação – a que já está lançada e disponível e a que iremos lançar em breve – chega rapidamente e nas melhores condições aos doentes portugueses; lançar as bases da “Nova GSK” em Portugal e ser parte ativa no processo de transformação que esta nova organização vai implicar em termos de capital humano e renovação de processos, para acelerar o crescimento e a performance local, nos próximos dez anos, através do nosso portfólio ímpar de Vacinas e Medicamentos de Speciality Care; por fim, mas não menos importante, implementar uma cultura organizacional que permita aos profissionais da GSK continuarem a crescer e a desenvolver-se, num ambiente em que sentem que podem ser eles próprios e em que sabem que o seu contributo é determinante para o sucesso e com impacto enorme na vida dos doentes portugueses.

 

NF | Quais são as primeiras impressões da equipa da GSK?

MB | Altamente positivas!! Encontrei um conjunto de profissionais muito talentosos, conscientes das suas prioridades e ultra-comprometidos em fazer tudo para que os doentes possam beneficiar da nossa inovação.

Naturalmente que cheguei numa altura muito particular e em que as limitações para interagir e colaborar presencialmente estão ainda muito presentes, mas isso não tem sido motivo de desânimo por parte da organização. Aliás, desde o primeiro dia que me fizeram sentir parte da equipa e estou muito satisfeito com o nível de compromisso, competência, paixão e engagement de todas as pessoas. É, de facto, um privilégio juntar-me a uma organização com colegas tão apaixonados e comprometidos.

 

NF | Que mensagem gostaria de deixar aos principais stakeholders da GSK?

MB | Apesar de ter chegado há relativamente pouco tempo a Portugal, tenho procurado acompanhar a resposta do país à pandemia e gostaria de deixar uma palavra de apreço e reconhecimento aos profissionais de saúde, que estão a fazer os possíveis e impossíveis para conseguir responder às exigências impostas pela pandemia. Têm sido uns autênticos heróis e são poucas todas as oportunidades para agradecer todo o esforço e sacríficio que têm feito em prol dos portugueses.

Uma palavra de apreço, também, para as autoridades e líderes políticos. Vivemos uma crise de saúde pública extraordinária e sem precedentes. A pandemia está a pôr à prova os sistemas de saúde e a capacidade de resposta das autoridades e, simultaneamente, a testar a resiliência de toda a comunidade. Não são, de facto, tempos fáceis e as autoridades têm a pressão e a responsabilidade de gerir os recursos disponíveis da melhor forma, com a preocupação de resolver a questão sanitária, sem fragilizar demasiado o sistema e procurando minimizar o impacto social e económico. Por tudo isso, mais uma vez, muito obrigado!

Do nosso lado, GSK, reitero o compromisso, a abertura e o espírito colaborativo para, lado a lado, todos juntos, trabalharmos para ultrapassar as barreiras e os constrangimentos que estão a dificultar o acesso dos doentes à inovação e, dessa forma, ajudar a construir um sistema de saúde mais forte, equitativo e em que o doente/utente está verdadeiramente no centro. Ao unir a ciência, o talento e a tecnologia, vamos conseguir vencer as doenças juntos.


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