Rotavírus: “A vacinação é uma das maiores conquistas da Medicina”
07/06/2021 11:17:58
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Rotavírus: “A vacinação é uma das maiores conquistas da Medicina”
“Considerando que temos meios seguros e eficazes para prevenir esta doença, pois que se previna com assertividade e confiança!” Quem o afirma é o Dr. Tiago Prazeres, médico no Serviço de Pediatria do Hospital Privado de Gaia e Instituto Jenner, quando questionado sobre o papel da vacinação no controlo do rotavírus. Em entrevista à News Farma, e a propósito do webinar “A importância de prevenir a gastroenterite por rotavírus”, o especialista aborda a importância da prevenção e da vacinação. A sessão decorre no próximo dia 17 de junho, às 21h00, em formato virtual.

News Farma (NF) | O rotavírus é considerado um vírus que provoca patologia benigna e não é valorizado da mesma forma por todos os profissionais de saúde. Considera importante prevenir?

Dr. Tiago Prazeres (TP) | Não só é importante como fundamental! A gastroenterite aguda infecciosa é a segunda doença aguda mais frequente em pediatria, logo a seguir às infeções da via aérea superior, sendo, também, a segunda causa de morte em crianças no mundo inteiro (nomeadamente em África e no Sudoeste asiático). Embora, nos países desenvolvidos, a mortalidade seja baixa, e daí a provável conotação de “benigna”, a gastroenterite aguda mantém uma elevada morbilidade, o que condiciona, por um lado, competição por recursos de saúde (nomeadamente por vagas de internamento), que são limitados, como esta pandemia já demonstrou; e por outro, custos elevados, designadamente no que toca ao absentismo laboral dos pais, mas também outros custos indiretos (materiais, medicamentos, cuidados específicos, etc), além do inerente sofrimento das crianças. Ora, embora esta doença possa ser causada por diferentes micro-organismos, nos países industrializados, a infeção vírica é a mais comum em todas as idades e o agente mais frequente é o rotavírus, atingindo praticamente todas as crianças antes dos cinco anos. Considerando que temos meios seguros e eficazes para prevenir esta doença, pois que se previna com assertividade e confiança!

NF | Costuma recomendar a vacinação a todas as crianças ou tem alguns grupos identificados como prioritários?

TP | Recomendo, de forma perentória, a vacinação a todas as crianças. No que ao rotavírus diz respeito, e embora a carga da doença seja maior em crianças mais pequenas, levando a que se possa pensar em não vacinar crianças que não frequentam creche e não têm irmãos mais velhos, penso que a vacinação deveria ser universal, pelo que a recomendo, independentemente do grupo de risco.

NF | Verifica alguma resistência por parte dos pais quando aconselha a vacina?

TP | Alguns pais manifestam alguma resistência inicial, de facto. Mas depois de lhes explicar o que consubstancia o aconselhamento (e também porque é uma vacina oral, em vez de injetável), a grande maioria acaba por aderir.

NF | Quais os argumentos que considera serem os mais importantes e percetíveis pelos pais?

TP | Depois de abordar os problemas associados à morbilidade da doença, penso que os pais valorizam muito a eficácia e a segurança da vacina. Explico que é uma vacina comprovadamente eficaz, capaz de proporcionar uma proteção precoce, logo após a primeira dose, com diminuição acentuada do número de casos graves, idas ao serviço de urgência e internamentos, e que tem um bom perfil de segurança, conferido pela administração de mais de 200 milhões de doses com poucos efeitos secundários.

NF | Verificou algum impacto da pandemia na aceitação da vacinação contra o rotavírus?

TP | Não só com a vacina do rotavírus, mas também com outras vacinas, senti, por parte dos pais, uma maior aceitação e um “mais à-vontade” com a vacinação. Penso que aprendemos muitas coisas com esta pandemia, mas uma das mais valiosas foi a noção de que a vacinação é uma das maiores conquistas da Medicina, contribuindo de forma decisiva para melhorar a qualidade de vida da população e, em muitos casos, salvando vidas que de outra forma se perderiam.

 

Pode inscrever-se no webinar "A importância de prevenir a gastroenterite por rotavírusaqui.

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