A Reumatologia no Litoral Alentejano: “Não havia nenhum médico especialista”
28/05/2021 16:33:38
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A Reumatologia no Litoral Alentejano: “Não havia nenhum médico especialista”

Até 2017, a Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) não disponibilizava consultas de Reumatologia aos seus utentes. Um “aspeto gritante da centralização dos cuidados de saúde em Portugal”, palavras que emergem da conversa com a Dr.ª Ana Valido, nessa altura ainda a fazer o internato, e que é, atualmente, a única reumatologista na ULSLA. Só a partir de abril daquele ano, com a celebração de um protocolo entre a ULSLA e o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), é que os cerca de 200 doentes da região passaram a ter acesso a consultas mensais, com internos e especialistas do hospital lisboeta. Entretanto e num breve balanço da situação, a News Farma ouviu a reumatologista. Assista ao vídeo.

De acordo com dados do Serviço Nacional de Saúde (SNS), entre 2014 e 2016 a ULSLA referenciou cerca de 556 consultas de Reumatologia para outros hospitais com oferta da especialidade. Em 2017, finalmente, foram iniciadas consultas na sequência do protocolo de cooperação celebrado com o CHULN. A Dr.ª Ana Valido, interna no Hospital de Santa Maria (CHULN) de 2015 a 2020, foi uma das médicas em formação que acompanhava, uma vez por semana, as consultas mensais dos utentes do litoral alentejano, sendo, desde novembro de 2020, a única reumatologista na unidade.

“No Alentejo, vinculado ao SNS, não havia nenhum médico especialista em Reumatologia, que é uma área envolvendo grande parte da população portuguesa. Para terem acesso a um cuidado especializado, referenciado por um médico reumatologista, os doentes desta área hospitalar do Alentejo teriam de esperar um a dois anos, ou, então, deslocar-se aos hospitais mais perto, no Alentejo ou em Lisboa, tendo de assumir os custos dessa deslocação”, recorda.

Com a mudança para o litoral alentejano, a reumatologista ficou não só “a conhecer a realidade de um hospital periférico e a população envolvente”, como ajudou a “diminuir o tempo de espera de acesso a uma consulta” e “um maior acesso a estes cuidados especializados de Reumatologia”.

“Através da minha presença fixa aumentámos o período de consultas, permitindo, além disso, diminuir o tempo de espera para a primeira consulta, e as subsequentes deixaram de ser tão espaçadas; estes doentes têm de ter uma vigilância de, pelo menos, quatro em quatro meses, e, agora, consigo seguramente garantir ainda maior proximidade” nessa monitorização, sublinha a especialista.

Mas, a colaboração com o CHULN não cessou: “Parti de um serviço em que havia muitos especialistas, para um serviço onde estou sozinha. E estar sozinha pode ser complicado, nada que me impeça – o que acontece desde o início – de colaborar e discutir com a equipa de Santa Maria aqueles casos que nos levam a uma partilha mais alargada”, confessa.

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