Doenças da tiroide: Mulheres são 10 vezes mais afetadas que os homens
08/03/2021 15:30:46
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Doenças da tiroide: Mulheres são 10 vezes mais afetadas que os homens

“As mulheres são cerca de 10 vezes mais afetadas do que os homens”, sublinha a endocrinologista e porta-voz da Associação das Doenças da Tiroide, Dr.ª Maria João Oliveira, acrescentando que é no sistema hormonal feminino que parece residir justificação para tal. No Dia Internacional da Mulher, o alerta vai para a necessidade de reforçar a atenção dada aos sinais e sintomas, que podem indiciar a existência de uma doença da tiroide, permitindo um diagnóstico atempado e um tratamento, também, precoce.

A especialista confirma que existe tratamento para vários distúrbios da tiroide, sendo o hipotiroidismo o mais frequente; se tratado atempadamente, evita “que existam manifestações mais severas deste distúrbio, como o aumento da pressão arterial, perturbação da função cardíaca, da função digestiva. Portanto, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, tanto melhor”.

Já nos casos de hipertiroidismo, o diagnóstico é mais fácil, por se tratar de “uma situação de grande agitação, perda de peso sem causa aparente, taquicardia, hipersudorese”, faz notar a endocrinologista.

Não existem números concretos referentes aos problemas de tiroide em Portugal, mas estima-se que “cerca de 5% da população talvez possa ter alguma forma de disfunção, nomeadamente hipotiroidismo ou hipotiroidismo subclínico”, frisa a Dr.ª Maria João Oliveira. Nestes casos, são as mulheres com mais idade, geralmente a partir dos 50 anos, as mais afetadas, sendo o hipertiroidismo mais frequente entre a 2.ª e a 4.ª década de vida.

Em tempos de pandemia, a médica destaca que, tal como se verificou com muitas outras doenças, também aqui se atrasaram os diagnósticos. Isto porque, segundo a médica, “as pessoas tinham medo de ir ao médico”. “Existem muitos mais casos de hipertiroidismo após infeção por COVID-19. Não sabemos, ainda, se essa infeção pode privilegiar a disfunção da tiroide, designadamente hipertiroidismo, mas é um facto que existem alguns casos de tiroidite pós-infeção COVID-19”, realça.

Estar atenta aos sintomas é o principal conselho, ao qual se junta, para quem já tem o diagnóstico, a manutenção da medicação. “As mulheres não devem ter receio de realizar os seus exames habituais, de rotina e de seguimento. E devem, também, recorrer ao médico quando necessário”, conclui a Dr.ª Maria João Oliveira.


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