Investigador do ICVS descobre medicamento promissor para tratamento de lesões medulares
04/03/2021 15:22:17
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Investigador do ICVS descobre medicamento promissor para tratamento de lesões medulares

O trabalho realizado pelo aluno de doutoramento Dr. Rui Lima e coordenado pelo neurocientista Prof. Doutor Nuno Silva, ambos pertencentes ao ICVS da Escola de Medicina da Universidade do Minho, foi agora publicado na revista científica Nature Regenerative Medicine. Os resultados do estudo demonstram que a administração de levetiracetam após lesão medular ajuda a proteger o tecido nervoso e promove a recuperação de movimentos de modelos animais com paraplegia ou tetraplegia.

“Quando sofremos uma lesão medular, podemos ficar paraplégicos ou tetraplégicos; dependendo do nível da medula onde sofremos a lesão. Ao usar este medicamento na fase aguda, até quatro horas após a lesão, conseguimos notar vantagens em termos futuros: há uma melhor recuperação funcional”, sublinha o Prof. Doutor Nuno Silva.

O levetiracetam é um fármaco antiepilético usado no tratamento de crises parciais. No entanto, devido ao seu mecanismo de acção, pode também ser utilizado para promover neuropoteção. O Prof. Doutor Nuno Silva decidiu, por isso, testar a substância numa condição neurotraumática, em que é importante proteger o tecido nervoso após a lesão. Há quatro anos iniciou-se, assim, o trabalho experimental do seu aluno de doutoramento, Dr. Rui Lima, que foi agora publicado na revista do grupo Nature.

Esta função neuroprotetora é crucial. Após as lesões medulares, há uma libertação em excesso do neurotransmissor glutamato, que origina uma ativação exagerada dos neurónios – e que geralmente conduz à morte da maioria deles, impedindo o tecido neural de se manter funcional. “O que este fármaco faz é ajudar os astrócitos a recolher estes neurotransmissores em excesso e ‘levá-los’ novamente para dentro das células”, protegendo o tecido e dando mais hipóteses para que ocorra plasticidade neural e recuperação funcional.

“Nós observamos resultados promissores quer em lesões torácicas (que simulam pacientes paraplégicos), quer em lesões cervicais (que simulam pacientes tetraplégicos)”, destaca o investigador em neurociências. O próximo passo deste trabalho é perceber qual a janela terapêutica máxima – se o novo medicamento pode ser administrado apenas até quatro horas - ou mais – após a lesão.

Isto pode originar novas abordagens na clínica, como a administração do fármaco em urgência para proteger o tecido neural, na fase aguda da lesão. “Depois, numa fase em que a pessoa já está a recuperar, a função protetora dada pelo medicamento será essencial. Pode ser a diferença entre uma pessoa ser capaz de fazer reabilitação física ou não." E conclui o Prof. Doutor Nuno Silva, "é muito importante esta possibilidade de reabilitação para voltar a ganhar funções motoras”.


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