Dia Mundial da Audição: “Pretendemos alertar para a necessidade de identificar precocemente os problemas auditivos”
03/03/2021 16:33:34
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Dia Mundial da Audição: “Pretendemos alertar para a necessidade de identificar precocemente os problemas auditivos”

No âmbito do Dia Mundial da Audição, marcado hoje, a 3 de março, a News Farma esteve à conversa com a Dr.ª Luísa Monteiro, coordenadora da Unidade de Otorrinolaringologia do Hospital Lusíadas Lisboa, sobre a importância desta efeméride. Um dos grandes objetivos é, segundo a especialista, “alertar para a necessidade de identificar precocemente os problemas auditivos de modo a que as pessoas com dificuldades possam ser alvo de programas de reabilitação adequados”.

“Cuidados auditivos para todos” é o lema deste ano, perante o qual a Dr.ª Luísa Monteiro explica que, em Portugal, depois da faixa etária da primeira infância os cuidados deixam de ser tão sistemáticos. “Todas as crianças são alvo de rastreio auditivo antes da alta da maternidade e são encaminhadas para centros de referência para serem reabilitadas através de próteses auditivas ou implantes cocleares”, porém, também “em idade pré-escolar deveriam ser sujeitas a um rastreio auditivo, algo que ainda não está implementado”. É, depois, na terceira idade que o problema se acentua, frisa a médica, sendo que é quando “a falta de um programa estruturado de saúde auditiva se faz sentir mais”.

“É muitas vezes aceite como inevitável o declínio auditivo associado à idade; quer as famílias quer os profissionais de saúde ignoram o papel deletério que a perda auditiva tem na qualidade de vida dos idosos, o contributo para o isolamento na família e na comunidade, para o declínio cognitivo, para a depressão e a demência. Neste grupo etário o poder de compra é por vezes menor e a capacidade económica de aquisição de próteses auditivas pode ser uma limitação à reabilitação nestas idades”, faz notar a especialista.

Por isto, um dos objetivos de marcar esta efeméride é alertar as entidades de saúde “para a necessidade de identificar precocemente os problemas auditivos de modo a que as pessoas com dificuldades possam ser alvo de programas de reabilitação adequados que lhes permitam comunicar e integrar-se na sociedade, evitando, por exemplo, o isolamento e o declínio cognitivo dos idosos”, sustenta a Dr.ª Luísa Monteiro. Além disso, é também de extrema importância chamar a atenção do público “para a importância de preservar ao longo da vida o património auditivo que a maioria de nós possui ao nascer”, realça.

No país, a Dr.ª Luísa Monteiro enumera os principais problemas auditivos ou doenças associadas à audição como, na infância, a surdez de causa genética, a surdez associada à grande prematuridade e a infeção congénita pelo citomegalovírus, “que representa atualmente uma parte importante dos casos de surdez infantil”, “as infeções graves dos ouvidos e as suas sequelas também podem resultar em perdas de audição importantes”, a exposição ao ruído em contexto laboral ou a música muito alta, e o envelhecimento associado a doenças metabólicas e a alguma predisposição familiar.

Partindo deste contexto, a médica conta que há muitas pessoas com deficiência auditiva não tratadas: “Deveríamos ter um programa nacional de cuidados auditivos, conforme reconhecido pela Organização Mundial de Saúde”.

“Como para outros problemas de saúde, há necessidade de alocar meios para reabilitar sobretudo as populações mais frágeis; de valorizar a importância de proporcionar adequados meios de comunicação aos adultos e idosos que não são muitas vezes referenciados às consultas de Otorrinolaringologia e aos cuidados integrados de Audiologia para diagnóstico, tratamento e reabilitação”, alerta.

É nesta época de pandemia que, com o uso generalizado de máscaras, se torna “ainda mais urgente proporcionar amplificação acústica ou tratamento médico e ou cirúrgico das patologias auditivas: pessoas portadoras de deficit auditivo deixam de poder apoiar-se na leitura de fala e vêm aumentadas as suas dificuldades de comunicação”, reforça a Dr.ª Luísa Monteiro, considerando que “cada ano em que nada se faz, representa um crescimento do número de cidadãos deixados para trás”.

O rastreio auditivo logo nos recém-nascidos é, de acordo com a especialista, “a grande oportunidade da vida das crianças com surdez de qualquer grau e tipo, para alcançarem a total integração familiar, escolar e social”. Isto porque, “no período neonatal é uma prática com grande relação de custo-eficiência: permite identificar muito precocemente as crianças que necessitam reabilitação auditiva a iniciar no período de maior plasticidade e desenvolvimento do Sistema Nervoso Central”.

Estes implantes são aparelhos que, sob o ponto de vista técnico, a Dr.ª Luísa Monteiro explica terem “evoluído muito”. “As suas indicações são cada vez mais alargadas, para graus de surdez menos graves. No entanto existe reconhecidamente um gap enorme entre o número de pessoas que necessitam de um implante e as que efetivamente recebem um”, contrapõe.

A evolução consiste, assim, como explica a médica de Otorrorrinolaringologia, “na educação das populações e dos profissionais e na implementação de programas que permitam o acesso das pessoas a esta tecnologia”.

Por fim, a Dr.ª Luísa Monteiro deixa o apelo: “É necessário abastecer os centros de implantes com unidades em quantidade e profissionais em número para selecionar, implantar e seguir os pacientes ao longo da vida. A cirurgia de implantes está bem estandartizada e é segura. As equipas muitidisciplinares terão que estar envolvidas na seleção e no seguimento destes pacientes. Terá também de haver um apoio à aquisição de novos processadores a cada sete anos (parte externa) e a eventuais atualizações tecnológicos, bem como à substituição de cabos e outros componentes dispendiosos e sujeitos a desgaste diário.”


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