Estudo aponta sangue do cordão umbilical como fonte de células estaminais para o tratamento de doentes pediátricos com leucemia
02/03/2021 14:36:06
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Estudo aponta sangue do cordão umbilical como fonte de células estaminais para o tratamento de doentes pediátricos com leucemia

A BebéVida, banco de tecidos e células estaminais, destaca o papel do tratamento com células estaminais para garantir uma melhor esperança e qualidade de vida em doentes pediátricos com leucemia, especialmente no período pós-transplante.

“O cancro desenvolve-se em pessoas de todas as idades e pode afetar qualquer parte do corpo. Inicia-se com alterações numa única célula que irá proliferar fora de controlo, podendo resultar numa massa (ou tumor). Contrariamente aos adultos, a grande maioria dos cancros infantis não tem causa conhecida, apesar de dados atuais sugerirem que aproximadamente 10% de todas as crianças com cancro apresentam uma predisposição devido a fatores genéticos. Um dos principais desafios, no que respeita o cancro infantil, passa, assim, por uma identificação precoce, para uma gestão do tratamento, com maior probabilidade de sobrevivência e menor sofrimento”, assinala a Dr.ª Andreia Gomes, responsável pela Unidade de I&D da BebéVida.

Entre as diferentes tipologias do cancro infantil, a leucemia é das que apresenta uma maior incidência, sendo caracterizada como um cancro das células mais primitivas da medula óssea – as células estaminais. E, dentro dos vários tipos de leucemia, os que mais afetam as crianças são as leucemias agudas como a leucemia linfoblástica aguda e a leucemia mieloide aguda.

As células estaminais do cordão umbilical são já consideradas um reforço no tratamento desta patologia em crianças. No estudo publicado na revista científica Blood Advances, em 2019, foi possível constatar esta realidade. Os dados relevam que o sangue do cordão umbilical é uma fonte de células para o tratamento de doentes pediátricos com leucemia mieloide aguda, relacionando-se com melhor esperança e qualidade de vida no período pós-transplante. No referido estudo, foi ainda avaliada a segurança destes transplantes, em que os resultados demonstrados que as crianças que receberam o transplante de sangue do cordão umbilical apresentaram melhores valores comparativamente às tratadas com medula óssea de um dador não familiar.

“A leucemia aguda infantil ainda tem um mau prognóstico e o transplante alogénico de células estaminais hematopoéticas é o tratamento indicado. Desta forma, o sangue do cordão umbilical é uma fonte de células atrativa para esta população, porque apresenta baixo risco de doença do enxerto contra hospedeiro crónica e disponibilidade imediata”, destaca ainda a Dr.ª Andreia Gomes. Adicionalmente, um ensaio clínico com 157 crianças com leucemia linfoblástica aguda e 95 crianças com leucemia mieloide aguda demonstrou que em crianças com mau prognóstico, estas devem ser transplantadas assim que alcancem o estado de remissão completa, uma vez que o transplante, nesta fase, está associado a um menor risco de reincidência. As crianças que apresentem a primeira reincidência devem ser transplantadas com o sangue do cordão umbilical assim que o segundo estado de remissão completa for alcançado.

Em relação à medula óssea e ao sangue periférico, o sangue do cordão umbilical apresenta uma maior capacidade de proliferação e maior número de células estaminais hematopoiéticas por unidade de volume, menor requisito de compatibilidade (HLA), menor risco de doença do enxerto contra o hospedeiro e infeção. Acresce que a vantagem de a colheita deste sangue ser não invasiva, indolor e sem qualquer tipo de risco para o dador (mãe e bebé), pela capacidade de armazenamento por longos períodos e disponibilidade imediata para transplante, englobando algumas das caraterísticas do sangue do cordão umbilical que o definem como excelente alternativa de fonte de células estaminais.

A Dr.ª Andreia Gomes defende que “a associação entre estas vantagens do sangue do cordão umbilical com os variados estudos científicos que avaliam a sua eficácia e segurança indica e apoia a necessidade de um maior investimento no estudo do sangue do cordão umbilical, por todas as suas características diferenciais e benéficas no tratamento de várias patologias, nomeadamente o cancro”.


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