COVID-19 pode ter causado a perda de mais de 20,5 milhões de anos de vida
25/02/2021 15:15:11
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COVID-19 pode ter causado a perda de mais de 20,5 milhões de anos de vida

Um grupo de investigadores, pertencentes a várias universidades e centros de investigação internacionais, iniciou um estudo para estimar o impacto da mortalidade prematura por COVID-19. Fizeram-no a partir do cálculo dos anos de vida perdidos devido à doença e a medida relativa desse cálculo em relação a outras doenças comuns, como gripe ou doenças cardiovasculares.

Os grandes efeitos, diretos e indiretos, da COVID-19 obrigaram os governos a dar respostas por meio de políticas de proteção, a fim de encontrar um equilíbrio entre minimizar o impacto imediato da pandemia na saúde e conter os danos socioeconómicos a longo prazo na sociedade.

Um parâmetro chave no cálculo de como as políticas restritivas podem ser justificadas é o impacto da mortalidade por COVID-19, que levou à criação de grandes colaborações internacionais com o objetivo de recolher dados para registar mortes atribuíveis à pandemia.

Apesar das limitações, cada uma dessas vias de pesquisa e as medidas de saúde associadas (taxa de infeção, mortes e excesso de óbitos) são importantes para informar os cidadãos e os responsáveis políticos sobre o impacto da mortalidade da COVID-19.

Um estudo realizado por um grupo de investigadores pertencentes a várias universidades e centros de investigação internacionais, entre os quais os professores do Departamento de Economia e Negócios da UPF Prof. Doutor Héctor Pifarré Arolas (primeiro autor) e Prof. Doutor Guillem López Casasnovas, ambos investigadores do Centro de Pesquisa em Economia da Saúde (CRES-UPF), estimou o impacto da mortalidade prematura pelo novo coronavírus. Fizeram-no a partir do cálculo dos anos de vida perdidos (YLL, em inglês) devido à COVID-19 e a medida relativa do YLL em relação a outras doenças comuns, como gripe ou doenças cardiovasculares.

Os investigadores Prof. Doutor Mikko Myrskylä, Prof. Doutor Enrique Acosta e Dr. Tim Riffe (Instituto Max Planck de Pesquisa Demográfica, Alemanha), Prof.ª Doutora Adeline Lo (University of Wisconsin-Madison, EUA) e Dr.ª Catia Nicodemo (University of Oxford, Grã-Bretanha) também participaram na pesquisa, publicada recentemente na revista Scientific Reports (Nature Research), e cofinanciada pela Fundação "la Caixa".

“Os nossos resultados confirmam que o impacto da mortalidade por COVID-19 é grande, não só em termos do número de mortes, mas também em termos de anos de vida perdidos”, fazem notar os autores, que consideram o seu estudo uma radiografia da situação pandémica deste início de 2021.

Quantos anos de vida foram perdidos com a COVID-19? E em relação a outras doenças?

Os investigadores estimaram o YLL causado pela COVID-19 usando dados de mais de 1.279.866 mortes em 81 países. Também analisaram dados de expectativa de vida e fizeram projeções do total de mortes por país.
Os autores estimam que um total de 20.507.518 anos de vida foram perdidos em consequência da COVID-19 nos 81 países incluídos no estudo, com uma média de 16 anos devido à morte individual. Do total de anos perdidos, 44,9% ocorreram em indivíduos com idade entre 55 e 75 anos, 30,2% em indivíduos menores de 55 anos e 25% em indivíduos maiores de 75 anos. Em países para os quais estava disponível o cálculo do número de mortes por sexo, o YLL foi 44% maior nos homens do que nas mulheres.

Nos países mais afetados pela COVID-19, e em relação a outras causas globais comuns de morte, a taxa de anos de vida perdidos devido à pandemia foi de duas a nove vezes maior do que a média de YLL associada à gripe sazonal, e entre 1/4 e 1/2 maior do que o YLL atribuível a doenças cardíacas.

Interpretação dos resultados no contexto de uma pandemia em evolução:

Para 35 dos países analisados, a cobertura de dados abrange pelo menos nove meses. Nesses casos, isso sugere que provavelmente estarão incluídos todos os impactos da pandemia em 2020, ou pelo menos as suas primeiras vagas, enquanto para outros países, esses dados ainda estão a aumentar. Os autores alertam: "Os resultados devem ser entendidos no contexto de uma pandemia em andamento e em evolução. Pode-se dizer que o estudo fornece uma análise instantânea dos possíveis impactos da COVID-19 em termos de anos de vida perdidos até 6 de janeiro de 2021".

Por outro lado, os autores sublinham que "as valorizações dos anos de vida perdidos podem estar subestimadas, devido à dificuldade de registar com precisão as mortes relacionadas com a COVID- 19", uma vez que, "tanto as políticas, como práticas de codificação de mortes estão em desenvolvimento e padronização". Além disso, destaca-se o facto de o estudo se limitar a analisar a mortalidade prematura e que uma avaliação completa do impacto da pandemia na saúde deveria considerar a carga de incapacidade associada à doença.

A investigação recebeu, ainda, financiamento do Social Sciences and Humanities Research Council, do Fonds du Recherche du Quebec - Societé et Culture (Canadá) e da University of Oxford's COVID-19 Research Response Fund (Grã Bretanha).

Artigo de referência: Pifarré i Arolas, H., Acosta, E., López Casasnovas, G., Lo, A., Nicodemo, C., Riffe, T., Myrskylä, M. (fevereiro de 2021). “Anos de vida perdidos para COVID-19 em 81 países”. Relatórios Científicos DOI: 10.1038/s41598-021- 83040-3


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