Estudo indica que terapia com células estaminais pode tratar a doença de Parkinson
19/02/2021 14:59:56
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Estudo indica que terapia com células estaminais pode tratar a doença de Parkinson

A revista médica Surgical Neurology International publicou, recentemente, um estudo cujos resultados assinalam que células estaminais mesenquimais de medula óssea autóloga podem ajudar a melhorar os sintomas da doença de Parkinson, com destaque para os tremores e a sonolência diurna, bem como a saúde mental, melhorando a qualidade de vida destes doentes.

Durante o estudo, um grupo de 12 doentes, com doença de Parkinson, em média há sete anos, e com idades compreendidas entre os 29 e os 65 anos, foi tratado com células estaminais mesenquimais retiradas da sua própria medula óssea, além da medicação convencional. Os resultados obtidos foram comparados com os de um outro grupo de 11 doentes com doença de Parkinson, com uma distribuição de idades, sexo e estádio da doença semelhantes ao do grupo de tratamento, mas com recurso apenas à medicação convencional.

Os doentes do grupo de tratamento receberam três tratamentos com células estaminais, com sete dias de intervalo: foram avaliados relativamente à evolução dos sintomas motores e não motores da doença de Parkinson, um e três meses após o tratamento.

Foi possível observar, nestes doentes, uma redução de 44% na pontuação da escala de depressão de Hamilton, o que indica melhorias significativas no humor e diminuição do estado depressivo. Outros efeitos positivos do tratamento experimental incluíram a redução da sonolência sentida durante o dia e aumento significativo da qualidade de vida, avaliada através de um questionário específico para doentes com doença de Parkinson. Estas melhorias na saúde mental, sonolência e qualidade de vida foram observadas um mês após o tratamento experimental e mantiveram-se três meses depois.

Os testes usados para avaliar a evolução dos sintomas motores permitiram, por sua vez, observar algumas melhorias nos doentes que receberam células estaminais, não observadas no grupo tratado apenas com medicação convencional. Estas melhorias sugerem um efeito positivo das células estaminais mesenquimais nos sintomas motores da doença de Parkinson.

“A medicação atualmente utilizada para tratar esta doença destina-se essencialmente ao alívio dos sintomas, não permitindo travar a progressão da doença. Assim, com o intuito de impedir a morte de neurónios e, por consequência, a progressão da doença, têm vindo a ser investigadas outras soluções terapêuticas, nomeadamente o uso de células estaminais mesenquimais, pela sua capacidade de migrar para tecidos danificados e promover a sua regeneração, entre outras. Estas células podem ser obtidas, por exemplo, a partir de medula óssea, tecido adiposo e tecido do cordão umbilical”, explica a Dr.ª Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal.

Os autores sublinham, contudo, que estes resultados, embora encorajadores, são preliminares, sendo necessária a realização de estudos com maior número de doentes.


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