SPO alerta para a realidade pouco conhecida dos tumores oculares
02/02/2021 17:46:08
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SPO alerta para a realidade pouco conhecida dos tumores oculares

Os tumores na órbita, globo ocular ou até pálpebra são uma realidade, ainda que pouco conhecida e, no âmbito do Dia Mundial de Luta contra o Cancro, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) aproveita para chamar a atenção para a necessidade de estarmos cada vez mais atentos à nossa saúde ocular, em nome de uma deteção e tratamento precoces.

“Felizmente, os tumores malignos oculares são relativamente raros e embora possam surgir em qualquer idade, são mais frequentes em idade adulta, especialmente em idosos”, explica o Prof. Doutor Rufino Silva, presidente da SPO. E são vários os fatores de risco, pessoais e ambientais, que podem contribuir para o desenvolvimento de lesões tumorais oculares, “nomeadamente a genética, o estado imunitário, a cor da pele, a exposição à luz solar ou UV, entre outros”, acrescenta o especialista.

Os tumores intraoculares podem, segundo o Prof. Doutor Rufino Silva, ter origem no olho, conhecidos como tumores primários, mas podem estar também associados a um qualquer outro órgão ou tecido do corpo, “após o que invadem ou disseminam para o olho”, os chamados os tumores secundários. “Neste último grupo, encontram-se mais frequentemente metástases de tumores da mama e do pulmão, assim como algumas doenças hematológicas. Por outro lado, os tumores primários do olho podem também enviar metástases à distância para outros órgãos alvo, mais frequentemente o pulmão e o fígado, podendo pôr em risco a vida do doente”.

Também as crianças podem ser vítimas de cancro ocular. Aqui, o retinoblastoma é o tumor mais frequente, surgindo até aos cinco anos de idade em mais de 90% dos casos. “A leucocória (reflexo pupilar branco) e o estrabismo são os sinais mais frequentes à apresentação. Sem tratamento, o retinoblastoma leva à morte em dois a quatro anos por invasão do sistema nervoso central e metastização à distância.” A boa notícia é que, se identificado e tratado precocemente, “apresenta uma sobrevida superior a 90%”.

Nas pálpebras podem também podem surgir lesões tumorais benignas ou malignas. “O carcinoma basocelular é o tumor palpebral maligno mais comum e corresponde a 90% de todas as lesões malignas palpebrais”, sendo a exposição solar um dos principais fatores de risco. Estar, por isso, atento “a alterações recentes do bordo palpebral, distorção da margem palpebral, perda de pestanas, ferida que sangra facilmente e que não cicatriza ou alterações da cor e textura da pele” é essencial. “Qualquer dúvida deve ser esclarecida com o seu oftalmologista, que fará o diagnóstico num exame de rotina. Quanto mais precoce for o diagnóstico e o tratamento, maior a probabilidade de cura”, conclui o Prof. Doutor Rufino Silva.


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