Prof. Doutor Luís Varandas: “Para prevenção da hepatite A temos vacinas que são altamente imunogénicas”
27/01/2021 15:42:57
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Prof. Doutor Luís Varandas: “Para prevenção da hepatite A temos vacinas que são altamente imunogénicas”

De 25 a 28 de janeiro está a decorrer o IV Congresso Virtual de Vacinas, organizado pela MSD Espanha e Portugal, em formato 100% digital. É uma iniciativa composta por mais de 35 webinars transmitidos em direto e, entre os palestrantes de referência, está o Prof. Doutor Luís Varandas. Em declarações à News Farma, o especialista explicou tudo sobre a vacinação para a hepatite A.

Começando por abordar a prevalência da hepatita A atualmente, o Prof. Doutor Luís Varandas revela que “é uma doença que ainda existe em todo o mundo e na Europa, e que de vez em quando há surtos, último dos quais há três anos".

Para prevenir estes surtos, o especialista explica que a MSD, para a prevenção desta patologia, tem vacinas “que são altamente imunogénicas, altamente seguras, existem no mercado há vários anos, portanto são vacinas conhecidas e utilizadas desde há muito tempo”, sendo a vacinação “a melhor forma de prevenção”.

Porém, não é toda a população que é vacinada atualmente, em muitos locais são apenas vacinados os grupos de risco. “Mas se nós vacinarmos apenas os grupos de risco não conseguimos controlar a doença, ou seja, se olharmos para o exemplo dos Estados Unidos onde a vacina já existe há vários anos, e quando eles vacinavam apenas grupos de risco ou apenas parte do país, o controlo da doença era praticamente nulo, portanto passaram a vacinar toda a gente", esclarece, quanto a isso, o Prof. Doutor Luís Varandas.

Em Portugal só se vacina os grupos de risco, isto porque “é um país que nos últimos anos evoluiu de imunicidade intermédia para um país de imunicidade baixa”. E, nestes países, o que acontece é que “por volta dos 40, 50 anos, metade da população está imunizada naturalmente e a outra metade não”, mesmo que por vezes haja surtos, visto que metade da população não está imune à doença.

“Apesar de tudo já evoluímos, primeiro, em termos epidemiológicos de uma situação de alta imunicidade, para intermédia imunicidade e depois para baixa, como é o caso em que estamos agora. Já evoluímos de não vacinação de todo para vacinar alguns grupos risco e para vacinar os viajantes. Se quisermos controlar a doença que, recordo, neste momento, não tem uma carga demasiado elevada, teríamos de vacinar toda a população. Mas vacinar toda a população exige outro tipo de estudos, outro tipo de saberes de epidemiologia, de análise de custo-benefício”, explica o Prof. Doutor Luís Varandas.

Relativamente a Espanha, o Prof. Doutor Luís Varandas conta que é um país com "uma experiência um bocadinho diferente". Apesar de ser também um país com imunicidade baixa, “tem duas cidades, que são aquelas que estão encavadas no Norte de África, Ceuta e Melilla, que já fazem a vacinação universal desde o ano 2000”. Já a cidade de Barcelona “tinha alguns casos de hepatite A um pouco acima da média”, e, em 1998, “começaram a vacinar os grupos de risco e isso não resultou grandemente”, porque “perceberam que de facto no grupo vacinado a eficácia da vacina era extremamente elevada, andava à volta dos 99% mas não controlava a doença e a evolução seguinte foi para vacinar toda a gente”.

O Prof. Doutor Luís Varandas sublinha ainda um aspeto a ter em conta, que é o período de incubação, pois é relativamente largo, em média, um mês. “Se nós fizermos a vacina imediatamente antes da exposição ou até 14 dias depois de nós termos contacto com o vírus, no fundo, de nós sermos infetados, a vacina ainda é protetora da doença”, sublinha.

Este é um facto relevante essencialmente devido a situações em que, por exemplo, “sempre que há um caso num infantário, vacinar as outras crianças todas ainda as protege para elas conseguirem não contrair a doença, e também aos pais”, alude o Prof. Doutor Luís Varandas.

Como notas finais, o Prof. Doutor Luís Varandas relembra que, apesar de a Europa ser uma região de baixa imunicidade, a doença “não está eliminada”, devido a sermos povos “que viajam muito para destinos tropicais e portanto há muitos casos descritos de hepatite A contraída nas férias que depois dá origem a surtos no país de origem”.

Para isso, o Prof. Doutor Luís Varandas volta então a apelar às vacinas que “são altamente imunogénicas, altamente seguras e com duas doses vacinadas, pensa-se, para toda a vida”, ou seja, “quem faz uma primeira viagem pode vacinar-se e depois fica vacinado para as viagens todas”.

De realçar também, o Prof. Doutor Luís Varandas considera que são alguns dos grupos de risco, por exemplo, doenças crónicas em que a hepatite A “pode ser muito mais grave” e, nesses casos, tem mesmo de haver vacinação.

O Prof. Doutor Luís Varandas deixa, por fim, uma última mensagem: “Claro que, em tempo de pandemia, nós temos de tentar proteger-nos de todas as outras doenças e portanto o lema e a ordem é 'Vacinar vacinar vacinar' contra tudo o que nós pudermos.”


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