Investigação vencedora do Prémio FAZ Ciência traz avanços numa estratégia alternativa de tratamento
14/01/2021 14:20:52
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Investigação vencedora do Prémio FAZ Ciência traz avanços numa estratégia alternativa de tratamento

“Esta investigação pré-clínica revelou um novo alvo terapêutico para a leucemia de linfócitos T.” Quem o diz é o Prof. Doutor Nuno Rodrigues dos Santos, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde e do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular, da Universidade do Porto, e vencedor do Prémio FAZ Ciência. Esta iniciativa da Fundação AstraZeneca e da Sociedade Portuguesa de Oncologia pretende distinguir trabalhos de investigação translacional em Oncologia, desenvolvidos em Portugal. O trabalho de investigação Towards na antibody-mediated targeted therapy agains T-cell Acute Leukemia, produzido pelo Prof. Doutor Nuno Rodrigues dos Santos pretende encontrar uma terapia alvo, mediada por anticorpos contra a LLA-T.

 News Farma (NF) | Em que é que consistiu o seu trabalho de investigação?

Prof. Doutor Nuno Rodrigues dos Santos (NS) | A leucemia de linfoblástica aguda de linfócitos T é uma leucemia grave que afeta cerca de 20-30 pessoas por ano, maioritariamente crianças. A quimioterapia tem sucesso para um grande número de pacientes, mas acarreta muitas vezes sequelas imediatas ou a longo prazo, e permanece atualmente o único tratamento. É importante, por isso, descobrir novos tratamentos eficazes e seguros que possam ser úteis sobretudo para aqueles pacientes que não respondem bem à quimioterapia. Neste âmbito, descobrimos recentemente que a estimulação do complexo de proteínas TCR/CD3 através de um anticorpo monoclonal específico levava à morte das células leucémicas humanas em placas de petri ou em murganhos transplantados.

NF | Qual é o principal objetivo do trabalho?

NS | O trabalho de investigação atual pretende aprofundar o potencial terapêutico de anticorpos dirigidos a CD3. Pretendemos estudar melhor os mecanismos moleculares das células leucémicas para melhor compreender as suas vulnerabilidades e realizar testes laboratoriais combinando o uso de anticorpo anti-CD3 com outros agentes anti leucémicos, como fármacos quimioterápicos ou outros fármacos potencialmente sinérgicos.

NF | O que significou para si ganhar este prémio?

NS | Além do prestígio associado, receber o Prémio FAZ Ciência da Fundação AstraZeneca significa receber um sinal de apreço e de reconhecimento pelo trabalho já realizado e pelo projeto proposto bem como um apoio financeiro muito importante para alcançar os objetivos propostos, num período em que os apoios do estado não correspondem ao mérito alcançado pela investigação biomédica portuguesa.

NF | Que benefícios trouxe a sua investigação para o avanço da ciência?

NS | Esta investigação pré-clínica revelou um novo alvo terapêutico para a leucemia de linfócitos T e poderá conduzir a uma estratégia alternativa de tratamento. A nossa expectativa é que o trabalho financiado pelo prémio FAZ Ciência possa levar ao estabelecimento de novos protocolos de terapia contra a LLA-T, eficazes e com pouca toxicidade, que possam vir a ser testados em ensaios clínicos.

NF | Qual é a relevância deste prémio para as equipas médicas portuguesas?

NS | A investigação oncológica das últimas décadas tem levado ao surgimento de terapias mais eficientes ou com menos efeitos secundários. Infelizmente, esse não é o caso para a LLA-T. Até ao momento, a quimioterapia é o único tratamento generalizado, que, embora sendo muitas vezes eficaz, acarreta efeitos secundários imediatos ou a longo prazo. A investigação pré-clínica associada deverá ser complementada por estudos clínicos, nos quais será importante a participação de equipas médicas portuguesas.

NF | E qual a relevância para o futuro da medicina em Portugal?

NS | A melhoria contínua dos cuidados de saúde depende muito da investigação clínica e investigação biomédica básica. Através do prémio atribuído, este projeto contribui para o fortalecimento da investigação biomédica portuguesa, promove a colaboração com equipas médicas e assim contribui para o progresso da medicina em Portugal e não só.


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