7.º Congresso do Internato Médico CUF: "qualidade reconhecida pelos internos e estudantes de Medicina"
03/08/2020 16:58:20
Dr. João Paulo Farias, diretor do Internato Médico CUF
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7.º Congresso do Internato Médico CUF: "qualidade reconhecida pelos internos e estudantes de Medicina"

O 7.º Congresso do Internato Médico CUF realiza-se nos dias 16 e 17 de outubro, no novo auditório do Hospital CUF Tejo, e será dedicado ao tema "Imagiologia". O primeiro dia será transmitido em plataforma webinar, devido às restrições de número de lugares no auditório, e o dia seguinte será composto por workshops. A News Farma falou com o Dr. João Paulo Farias, diretor do Internato Médico CUF, que explicou a importância da realização desta reunião "transversal" para a formação médica pós-graduada, que teve este ano "de se adaptar à pandemia, tal como todos os setores da saúde e da sociedade em geral". Leia a entrevista na íntegra. 

 

News Farma (NF) | Tendo em conta o atual período pandémico que atravessamos, em que moldes se vai realizar esta edição do Congresso?
Dr. João Paulo Farias (JPF) | O Congresso do Internato Médico CUF, que se realiza anualmente, vai na sua 7.ª edição e é já um congresso de qualidade reconhecida pelos internos e estudantes de Medicina dos últimos anos, dentro e fora do universo dos hospitais do grupo CUF.

Este ano será realizado fisicamente no Hospital CUF Tejo, que será inaugurado em setembro de 2020, com inscrições presenciais reduzidas a 30 participantes, para manter todas as regras de segurança, mas com participação em plataforma webinar para quem se quiser inscrever. Os workshops do 2.º dia serão todos presenciais, devido à componente prática que têm.

 

NF | Qual a importância da realização desta iniciativa para a comunidade médica e, particularmente, para os internos?
JPF | O Congresso do Internato Médico CUF é organizado pelos internos das unidades CUF para os internos de todo o país. É sempre um evento que tem um tema transversal a muitas especialidades, para poder atrair e ser útil para muitos dos internos portugueses da Formação Especializada ou Formação Geral, e ainda para os estudantes de Medicina dos últimos anos. Nas edições anteriores foram discutidos temas tão relevantes para todos os médicos como infeção, urgência, dor, oncologia, diabetes.

Este ano o congresso tem como tema principal a Imagiologia, recurso essencial a todas as áreas da Medicina. O modelo do Congresso assenta em palestrantes com reconhecida experiência na área (conferências, mesas redondas, discussão de casos clínicos), moderados por internos de diferentes especialidades. Não só os temas são de extrema importância clínica para a formação dos internos, como o modelo do congresso os obriga a um esforço e aprendizagem de organização (são os internos que definem os temas, escolhem os preletores, numa palavra, organizam o congresso) e de preparação para a moderação das sessões clínicas, tarefa nos congressos clássicos realizada somente por especialistas.

Há ainda workshops de várias áreas da medicina que são leccionados por internos e especialistas da área respetiva - este ano teremos:
a) suturas;
b) POCUS (Point Of Care Ultrasound) para adultos e Pediatria;
c) ECG e radiografia de tórax;
d) Via aérea difícil - técnicas de cricotirotomia e traqueotomia;
e) Cateteres ecoguiados;
f) Discussão interativa de casos clínicos. 

Estes workshops são sempre um dos pontos mais apreciados do congresso pela sua qualidade e relevância.

 

NF | Quais são os grandes objetivos desta 7.º edição?
JPF | a) Formação transversal em Imagiologia, tão importante para todos os médicos;
b) Formação prática nas várias áreas cobertas pelos workshops.

 

NF | “Imagiologia: diferenciação e multidisciplinaridade” é um dos motes deste encontro. Porquê esta escolha?
JPF | Como já referi, a Imagiologia é uma área da Medicina essencial a quase todas as outras. É onde muitos dos diagnósticos clínicos são confirmados, é como se monitoriza a evolução de muitas doenças; para além disso, cada vez mais são realizadas técnicas diagnósticas e terapêuticas invasivas guiadas pela imagiologia - para citar só algumas: terapia endovascular, biópsias guiadas por ecografia ou tomografia computadorizada, ozonoterapia, infiltrações ecoguiadas, etc. Refiro ainda o uso de ecografia no contexto de urgência (POCUS), e Medicina Intensiva e Bloco Operatório para colocação de cateteres venosos centrais e arteriais.

 

NF | Em relação ao programa científico, que temas gostaria de destacar e porquê?
JPF | Para além das sessões técnicas dedicadas a várias áreas da Imagiologia, gostaria de destacar sessões formativas não técnicas de extrema importância para os médicos em formação, que também sempre nos preocupamos em incluir no Congresso:
a) Conferência de abertura pelo Dr. Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, já um “clássico” deste congresso, que nos traz sempre a sua visão sobre formação médica pós-graduada e a Medicina atual
b) Conversas CUF - mesa redonda moderada pelo Dr. Carlos Liz, licenciado em Estudos Clássicos, um estudioso da Sociologia e tendências de mercado, colabora atualmente com a CUF na liderança do Centro do Conhecimento do Hospital CUF Descobertas. Nas suas palavras “with over 40 years experience in market research, I am currently focusing on consultancy projects developing knowledge and insight into the creative economy”. Esta mesa redonda, subordinada ao tema “Impacto da pandemia COVID no Internato Médico”, contará com três internos de especialidades e hospitais diferentes.
c) Excelência em Medicina - conferência sobre como a importância dada aos detalhes, a dedicação, a formação contínua, as técnicas de comunicação, e áreas tão essenciais como a qualidade e segurança e a gestão de risco, são essenciais à excelência da nossa profissão.
d) Finalmente, salientaria a conferência de encerramento - “Inteligência Artificial e Imagiologia Pulmonar”.

 

NF | Quais foram os principais efeitos da pandemia na formação médica? Estão neste momento a reger-se pelos protocolos delineados anteriormente ou tiveram de ser reestruturados?

JPF | A formação médica pós-graduada teve de se adaptar à pandemia, tal como todos os setores da saúde e da sociedade em geral. Em muito casos foi interrompida entre março e maio de 2020 - estágios adiados, atividade focada nas necessidades da pandemia. Gostaria aqui de salientar e prestar homenagem aos médicos internos portugueses pelo contributo fundamental, empenho, profissionalismo e espírito de missão e sacrifício com que encararam esta nova tarefa de lidar com a COVID 19; foram essenciais na sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde durante este período. Atualmente, a formação médica pós-graduada está a voltar ao normal, segundo as regras pré-existentes.


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