CUF Update in Oncology com programa científico ambicioso e multidisciplinar
22/10/2019 16:18:34
Prof.ª Doutora Bárbara Parente
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CUF Update in Oncology com programa científico ambicioso e multidisciplinar

"Trata-se, talvez, da primeira atualização transversal a todas as áreas da Oncologia efetuada após ASCO, WCLC e ESMO" refere a Prof.ª Doutora Bárbara Parente, coordenadora Norte do CUF Instituto Oncologia, a propósito da 4.ª edição da CUF Update in Oncology. O encontro científico terá lugar no dia 25 de outubro no Convento de São Francisco, Coimbra. Leia a entrevista completa.

News Farma (NF) | "Learning, Researching and Caring for Cancer Patients" é o mote da iniciativa CUF Update in Oncology. Porquê esta escolha?

Prof.ª Doutora Bárbara Parente (BP) | Esta escolha faz todo o sentido porque se enquadra perfeitamente no espírito que tem vindo a ser seguido pelo CUF Instituto Oncologia desde a sua fundação. Já na 4.ª edição,do CUF Update in Oncology, e norteados pelos princípios de investigação cientifica , de cuidados aos doentes desde a fase aguda da doença até aos cuidados paliativos ,esta abertura à comunidade cientifica , só poderá ser mutuamente frutuosa pelo intercambio e troca de experiencia.

NF | Qual a importância da realização desta iniciativa para a comunidade científica?

BP | Trata-se, talvez, da primeira atualização transversal a todas as áreas da Oncologia efetuada após ASCO, WCLC e ESMO, pelo que para aqueles profissionais de saúde ,que por qualquer razão não se deslocaram a estes eventos tem aqui uma forma de atualização cientifica, numa era em que as alterações terapêuticas são muito rápidas e a necessidade de atualização de conhecimentos uma constante.

NF | A quem se destina?

BP | Este evento destina -se a todos os profissionais de saúde direta ou indiretamente envolvidos no diagnóstico e tratamento do cancro do pulmão, particularmente médicos oncologistas, internos de especialidade, pneumologistas, radioterapeutas, imagiologistas e todas as especialidades cirúrgicas ou médicas afins à Oncologia, bem como enfermeiros e farmacêuticos.

De muito relevo e como novidade este ano é a existência em paralelo de temas dedicados especificamente a enfermeiros que tratam doentes oncológicos.

NF | Em relação ao programa científico, que temas gostaria de destacar e porquê?

BP | O programa científico é ambicioso e multidisciplinar, versando algumas importantes áreas da Oncologia, onde nos últimos anos têm sido mais evidentes os progressos nas áreas terapêuticas.

É assim que vamos ter os avanços de Imunoterapia no cancro do pulmão, patologia que nos últimos anos maiores avanços tem sofrido na doença avançada ou metastizada, e que tem vindo a alterar o paradigma da sobrevida da doença aos cinco anos .Têm sido muitas as expectativas e novos horizontes estão atualmente abertos para os doentes com esta patologia, na perspetiva de uma cada vez maior cronificação da doença .

De outras áreas igualmente importantes e que iremos também ver debatidos por reputados colegas, refiro o melanoma, a patologia do foro urológico e as doenças linfo proliferativas, onde igualmente no seu tratamento muito se tem evoluído.
A neoplasia da mama pela sua incidência no nosso país e simultaneamente pelas elevadas taxas de sucesso é sempre um ponto de encontro obrigatório em qualquer update de Oncologia.
Também as técnicas de biologia molecular, particularmente as biópsias líquidas vão estar em destaque, reforçando cada vez mais a possibilidade de otimizar alguns tipos de diagnósticos e terapêuticas, usando meios cada vez menos invasivos.

NF | Qual é a prevalência do cancro do pulmão em Portugal?

BP | A prevalência do cancro do pulmão em Portugal situa-se à volta de cinco mil novos caso/ano, com uma tendência crescente, por um lado pela possibilidade crescente de aumento de diagnósticos por aperfeiçoamento dos métodos, e por outro lado, pelo aumento da longevidade do ser humano, com cerca de 50% dos casos a surgir em doentes com mais de 65 anos; para além de tudo isto, os hábitos tabágicos, que constituem o fator predisponente mais importante ao aparecimento do cancro do pulmão, não tem vindo a reduzir ao longo dos últimos anos, mesmo sabendo-se que no homem em Portugal estabilizou, mas na mulher tem continuado a aumentar, constituindo um importante problema de saúde publica.

NF | Relativamente ao tratamento de cancro do pulmão, quais as terapêuticas mais utilizadas?

BP | Hoje em dia (falamos da terapêutica na doença avançada) assistimos a uma mudança do paradigma das terapêuticas em primeira linha do cancro do pulmão; se há pouco mais de 10 anos em primeira linha na doença avançada, ficávamos com a quimioterapia e nada mais, hoje em mais de metade dos doentes é-lhes permitido o uso de outras terapêuticas que vão desde as terapêuticas “target” que já beneficiam entre 15 a 20% dos doentes, às terapêuticas de Imunoterapia nos doentes que apresentam determinados marcadores específicos positivos e que já correspondem a cerca de 30% dos doentes; existe já a possibilidade também de associar a QT à Imunoterapia.

A quimioterapia continua, no entanto, a ter um papel importante nesta fase da doença.

4D Visions19

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