Heart Center: um centro inovador, aberto 24 horas por dia, 365 dias por ano
05/06/2019 17:49:08
Dr. Luís Baquero
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Heart Center: um centro inovador, aberto 24 horas por dia, 365 dias por ano

O Hospital da Cruz Vermelha (HCV) inaugurou, no passado dia 31 de maio, o Heart Center, um centro inovador em Portugal, especializado em tratamentos cardiovasculares. Trata-se de um espaço dedicado à prevenção, através da prestação de cuidados de saúde especializados com base em tecnologias inovadoras e altamente diferenciadas e, ao mesmo tempo, a todo o tipo de tratamentos com procedimentos minimamente invasivos e cirurgias complexas. O Dr. Luís Baquero, coordenador do Heart Center, revela os pilares que sustentam a estrutura do Centro.

News Farma (NF) | A necessidade da criação deste centro reflete o atual panorama de saúde no que diz respeito à doença cardiovascular?

Dr. Luís Baquero (LB) | A necessidade da criação do Heart Center surgiu porque se verificou uma lacuna no sistema: a desintegração dos cuidados na área das doenças cardiovasculares. Havia um grupo de cardiologistas que faziam ecografias, outro grupo que fazia uma ressonância magnética, outro grupo que fazia uma intervenção coronária ou estrutural cardíaca, não existindo uma estrutura de decisão integrada e multidisciplinar em prol do doente. Chegou-se à conclusão que não havia nenhum centro na Península Ibérica em que se verificasse esta integração de serviços. Nesse sentido, surge o Heart Center: uma unidade integrada, quer do ponto de vista logístico, quer do ponto de vista pessoal. Um centro inovador, aberto 24 horas por dia, 365 dias por ano.

NF | O Heart Center integra-se no Hospital da Cruz Vermelha. Qual é a sua estrutura?

LB | No Hospital da Cruz Vermelha (HCV) existem dois andares destinados ao Heart Center. O primeiro é um espaço onde se conglomera uma unidade de consulta, diagnóstico e tratamento, e se mantem uma convivência constante entre cardiologistas e cirurgiões. Depois, o segundo andar destina-se ao internamento e cuidados intensivos. Localiza-se também a “sala híbrida” onde se efetuam tratamentos menos invasivos. Significa isto que temos um doente que é estudado e discutido pelos profissionais de Saúde de diversas áreas e aplicam-se as técnicas de diagnóstico e terapêuticas mais avançadas.

Um dos pilares que sustenta o Heart Center, é uma abordagem “Minimal access - maximal approach”, fazer a mínima agressão possível aos doentes e chegar o mais longe no que ao tratamento diz respeito. Atualmente, com as tecnologias e técnicas que se têm vindo a desenvolver, é possível tratar "a maioria" das doenças sem recorrer à cirurgia convencional.

NF | É essa integração e proximidade de serviços aliada à mais recente tecnologia que distingue o Heart Center dos serviços clássicos de Cardiologia ou da área cerebrocardiovascular?

LB | O Heart Center assenta em quatro pilares. A multidisciplinaridade é um deles – temos uma equipa composta por cirurgiões e cardiologistas especializados em diversas componentes da Cardiologia. Portanto, o doente é sempre analisado em conjunto. Depois temos a capacidade de, com recurso às mais recentes tecnologias, efetuar diagnósticos avançados e imediatos. Ou seja, o doente não tem que esperar para receber o relatório da ecografia ou da ressonância uma semana mais tarde, tudo isso é feito imediatamente.

Outro aspeto fundamental é que temos conhecimentos e know how para fazer cirurgia mini-invasiva e intervenção cardíaca vascular. Garantindo o princípio anteriormente citado de “Minimal access-maximal approach”.

O seguimento dos doentes em ambulatório também é fundamental. Os doentes que efetuaram uma cirurgia ou um procedimento no Heart Center e precisam de um mês de acompanhamento em casa, implantamos um sistema que nos vai permitir contactar com ele e receber uma série de dados biométricos (tensão arterial, frequência cardíaca, entre outros) que e vão ser lidos constantemente, permitindo um acompanhamento cómodo. A monitorização dos fármacos também é fundamental. No Heart Center conseguimos seguir esses dados de forma ambulatória, corrigindo atempadamente as alterações nos valores, monitorizados e evitando a necessidade de recorrer ao hospital.

Por último, temos os doentes crónicos, com arritmias, hipertensão, insuficiência cardíaca que precisam de um seguimento mais prolongado. Com recurso à telemedicina, podemos garantir o conforto destes doentes e evitar que haja descompensações e complicações, evitando o internamento repetido de doentes o que acaba por ser melhoria na qualidade assistencial e também na melhoria da qualidade de vida do doente.

NF|O que é que ainda falta fazer em Portugal no que às doenças cardiovasculares diz respeito?

LB | Falta fazer muito. Mas fundamentalmente falta apostar na prevenção. Não se tem vindo a desenvolver quase nada nesta área em Portugal quando comparado com outros países. A prevenção tem que ser, sem dúvida, mais dinamizada.

Há-que também promover as técnicas menos invasivas para os doentes sempre num trabalho multidisciplinar conjunto entre cirurgiões e cardiologistas e anestesistas da área.


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