"Precisamos de fármacos cada vez mais seletivos e com menor toxicidade" no tratamento das doenças autoimunes
26/04/2019 15:11:58
Dr. António Marinho, coordenador do NEDAI
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"Precisamos de fármacos cada vez mais seletivos e com menor toxicidade" no tratamento das doenças autoimunes

O Núcleo de Estudos de Doenças Autoimunes (NEDAI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) comemorou o seu 25.º aniversário com a realização da sua XXV Reunião Anual e VI Congresso Nacional de Autoimunidade. A iniciativa decorreu entre os dias 10 e 14 de abril, no Grande Hotel de Luso, no concelho da Mealhada, em Aveiro. Em entrevista à News Farma, o coordenador do Núcleo, Dr. António Marinho, comentou o sucesso da edição marcado pela promoção do trabalho em rede entre internos e especialistas.

 

News Farma (NF) | Entre 10 e 14 de abril, decorreu a XXV Reunião Anual do NEDAI e o VI Congresso Nacional de Autoimunidade 2019. Que mensagens-chave considera importantes reter do evento?

Dr. António Marinho (AM) | A procura da excelência, a necessidade da gestão da doença crónica autoimune ter um tratamento custo-efetivo e sustentável, a investigação de excelência liderada por internistas, as ligações nacionais e internacionais que fazem as redes funcionarem formalmente.

 

NF | Quais as razões que motivaram a criação deste Núcleo da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna? Quais as suas principais áreas de atuação?

AM | Em primeiro lugar a necessidade de "criar" diferentes tipos de internistas, que respondam às reais necessidades de uma população, que consigam disponibilizar Medicina de excelência gerida por médicos preparados para a gestão da doença crónica e para o tratamento da doença aguda. Isso era um problema não coberto nem do âmbito das especialidades médicas mais "órgão específicas", que têm necessariamente um campo de ação mais limitado e altamente especializado. O NEDAI foi o primeiro núcleo da SPMI e o que tem liderado essa necessidade, tem agregado um núcleo de consultas em todos os hospitais do SNS e alguns privados, tem um registo, tem grupos de trabalho para o desenvolvimento científico de variadas patologias e elabora normas de atuação que estão atualmente em fase final de revisão.

 

NF | Enquanto coordenador do NEDAI, que balanço faz destes últimos 25 anos?

AM | Olhando para o congresso dos cinco anos com mais de 400 inscritos a resposta fica dada. O NEDAI conseguiu juntar as consultas, os serviços, as pessoas. Existe o hábito de se trabalhar em rede e cada vez mais novos internos e especialistas pretendem estender o seu conhecimento para a autoimunidade.

 

NF | Como perspetiva o futuro, tendo em conta os três objetivos definidos? Sendo eles a implementação de um programa de formação adequado dos internistas na área da Autoimunologia, a certificação pelo NEDAI das consultas e unidades dedicadas às doenças autoimunes e o reconhecimento desta competência pela Ordem dos Médicos.

AM | O futuro é a existência de uma subespecialidade de Imunologia Clínica dentro da especialidade de Medicina Interna, que nada colide com o âmbito de outras especialidades, mas que irremediavelmente terá pontos de contacto. Para isso os dois primeiros passos são essenciais e estão ambos bastante avançados, com um limite temporal para o fim de 2019.

 

NF | O que falta ainda fazer para melhorar os cuidados de saúde das pessoas com doenças autoimunes?

AM | Um melhor conhecimento da fisiopatologia para se desenvolverem fármacos mais específicos e com menor toxicidade. Um melhor e mais rápido acesso a serviços de saúde de qualidade, um obstáculo enorme, fruto do desgaste e do baixo número de especialistas no SNS. Aliás, o SNS está cada vez mais preocupado com o acesso a Medicina de Urgência, resolver problemas e não prevenir, algo que tem que de mudar com brevidade.


NF | Que novas abordagens na gestão da doença e que avanços terapêuticos têm sido registados no que a esta temática diz respeito?

AM | Precisamos de fármacos cada vez mais seletivos e com menor toxicidade, mas também precisamos de novas estratégias terapêuticas que acompanhem a evolução da qualidade de cuidados. Atualmente não chega controlar sintomas e dano da doença, é necessário acompanhar a qualidade de vida e o impacto positivo dos tratamentos na pessoa e na sociedade.

 


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