Causas de AVC no jovem adulto
18/11/2016 14:47:37
Dr.ª M. Teresa Cardoso - Especialista em Medicina Interna no Centro Hospitalar de S. João; Coordenadora do Núcleo de Estudos de Doença Vascular Cerebral da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
Causas de AVC no jovem adulto

O acidente vascular cerebral (AVC), embora seja mais frequente no idoso, pode ocorrer no adulto jovem com morbilidade e mortalidade significativas. As causas e os fatores de risco para o AVC isquémico no jovem diferem em relação ao idoso.

No jovem, o AVC está mais associado a alterações vasculares hereditárias ou adquiridas (como a disseção arterial cervicocefálica) a defeitos cardíacos (alterações cardíacas estruturais) e a cardioembolismo, a estados de hipercoagulabilidade, tabagismo, álcool e uso de drogas ilícitas, doenças metabólicas, aterosclerose prematura e, possivelmente, enxaqueca. A hipertensão, a diabetes e a hipercolesterolemia também podem estar presentes no jovem e constituem fatores de risco para o AVC.

O risco de AVC isquémico num adulto jovem com doença cardíaca congénita pode ser 10 vezes superior ao da população em geral.

O uso de cocaína e metanfetaminas pode ser causa de AVC por hipertensão, vasoespasmo ou vasculite. Outras substâncias – como a heroína, outros opiáceos, marijuana, canabinoides sintéticos – podem estar associadas a AVC. E o uso de anticoncetivos orais está também associado a AVC.

Portanto, perante um AVC no adulto jovem é importante procurar outras causas que, normalmente, não estão presentes no AVC do idoso. No entanto, apesar de toda a avaliação diagnóstica, a causa de AVC isquémico no jovem fica por determinar em 1/3 dos casos.

Em 2014, só o AVC isquémico representou cerca de 20 mil episódios e 250 mil dias de internamento em Portugal.

Vários estudos a nível internacional têm revelado um aumento da incidência de AVC isquémico em indivíduos menores de 50 anos, associado a um aumento do número de hospitalizações. As razões são multifatoriais: a identificação do AVC ao longo dos anos tem melhorado, quer da parte do doente, ao procurar cuidados médicos; quer da parte do clínico; o uso de técnicas de imagem cada vez melhores, especialmente em doentes com sintomas minor ou transitórios, permite identificar mais casos; o aumento da prevalência da obesidade da diabetes e hipercolesterolemia são fatores de risco para o AVC; outros fatores contributivos são as mudanças no estilo de vida e hábitos, por evolução das sociedades.

Embora a incidência de AVC isquémico no adulto jovem tenha um pequeno impacto na incidência global de AVC (face ao peso do AVC no idoso), tem, todavia, um grande impacto socioeconómico. É necessário melhorar a prevenção do AVC no adulto jovem através de informação melhorada e precoce e educação da população na correção dos fatores de risco corrigíveis.

O seguimento a longo prazo é importante para reduzir o peso do AVC no adulto jovem, ultrapassada a fase aguda de tratamento e a prevenção secundária precoce. A vigilância epidemiológica contínua reveste-se da maior importância, quer para analisar a evolução temporal e avaliar necessidades no que diz respeito a serviços dedicados,
quer para guiar e avaliar prioridades de prevenção e terapêuticas futuras.

Artigo de opinião
Dr.ª M. Teresa Cardoso
Especialista em Medicina Interna no Centro Hospitalar de S. João, Porto
Coordenadora do Núcleo de Estudos de Doença Vascular Cerebral
da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna

Pesquisa