08/09/2015 18:05:59
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Cancro da próstata: tratamento em ambulatório
Cancro da próstata: tratamento em ambulatórioA próstata é uma glândula específica do aparelho reprodutor de todos os mamíferos que tem como função a produção de um fluido que é parte constituinte do sémen. No homem esta glândula localiza-se imediatamente abaixo da bexiga e à frente do reto.


De forma praticamente invariável no ser humano, a próstata aumenta de tamanho à medida que o indivíduo envelhece, sendo contudo variável de indivíduo para indivíduo a taxa de crescimento ao longo da idade.

Várias doenças podem acometer a próstata, uma delas é o cancro da próstata. Em Portugal, por ano, diagnosticam-se cerca de 4.000 novos casos, com uma mortalidade aproximada de 1.000 doentes por ano. Atualmente, o cancro da próstata é a segunda causa de morte por cancro, logo depois do cancro do pulmão.

O cancro da próstata diferencia-se de outros tumores malignos pela lenta evolução na maioria dos casos. Na sua fase inicial geralmente não causa sintomas. No entanto, em situações mais avançadas pode causar problemas urinários e disfunção erétil. É importante saber que doenças benignas podem também ter sintomas semelhantes.

O seu diagnóstico pode ser facilitado através de exames médicos específicos, dentro dos quais se destacam o toque retal e a determinação sanguínea de uma proteína específica da próstata (PSA). A determinação do PSA está indicada em homens com uma esperança de vida superior a 10 anos. Uma vigilância adequada a partir dos 50 anos (40 anos se história familiar de cancro ou em homens de raça negra) permite detetar a doença numa fase inicial permitindo assim a instituição de tratamentos com intuito curativo.

Dependendo da situação, as opções de tratamento do cancro da próstata podem incluir: conduta expectante ou vigilância ativa; cirurgia; radioterapia; criocirurgia; HIFU; terapêutica hormonal; quimioterapia; tratamento dirigido aos ossos. O tratamento escolhido deve ter em conta a idade e esperança de vida, o estadio e agressividade do cancro, as expectativas do doente, probabilidade de cura e possíveis efeitos colaterais de cada tratamento.

Os recentes avanços nas técnicas cirúrgicas resultaram em procedimentos mais curtos e menos invasivos com menos efeitos secundários. Estas melhorias resultaram num aumento do número dos procedimentos realizados em regime ambulatório. Além disso, os pacientes estão hoje melhor informados e desempenham um papel mais ativo nas decisões terapêuticas, exigindo tratamentos altamente eficientes e de preferência em regime de ambulatório, que se traduzam numa rápida recuperação para retornar à vida ativa.

O tratamento cirúrgico do cancro da próstata consiste na prostatectomia radical (PR). Isto envolve a remoção de toda a glândula prostática entre a uretra e a bexiga. O objetivo da prostatectomia radical deve ser erradicação da doença, preservando a continência e, sempre que possível a função erétil. Os pacientes com uma esperança de vida superior a 10 anos têm maior probabilidade de beneficiar deste procedimento. A PR pode ser executada por uma abordagem retropúbica ou perineal sendo que ambas são realizadas através de incisões abertas. Mais recentemente, a prostatectomia radical retropúbica laparoscópica minimamente invasiva e assistida por robô têm sido desenvolvidas. A possibilidade de utilizar instrumentos cirúrgicos cada vez mais finos e o aperfeiçoamento da técnica, com a consequente diminuição da morbilidade, permite a realização destes procedimentos em regime de ambulatório. Deste modo existe um claro benefício económico e clínico, traduzido numa diminuição da incontinência urinária, do risco de disfunção eréctil e um retorno precoce do doente à sua vida ativa.

Dependendo de várias características clínicas e agressividade tumoral existem ainda outras técnicas minimamente invasivas para o tratamento do cancro da próstata das quais se destacam a braquiterapia, a criocirurgia e o HIFU (utilização de energia ultrassónica de grande intensidade focalizada para ablação do tumor). Estas técnicas podem ser efetuadas sob anestesia geral ou loco-regional durante cerca de 60 a 180 minutos sendo realizadas habitualmente em regime de ambulatório. Pacientes com cancros da próstata de baixo risco são os candidatos mais adequados para estas terapêuticas menos invasivas.

A braquiterapia prostática consiste na implantação, diretamente na glândula prostática, através de diversas agulhas, por via transperineal e ecoguiada, de pequenas fontes radioativas (sementes), de forma a expor o tumor a uma alta dose de radiação, poupando, na medida do possível o reto e a bexiga. Estas sementes têm como objetivo eliminar as células cancerígenas sem prejudicar as células e órgãos vizinhos saudáveis.

A criocirurgia utiliza técnicas de congelação para induzir a morte celular pelo frio. A congelação da próstata é assegurada pela colocação de agulhas guiadas por ecografia transretal. Dois ciclos de congelação-descongelação são usados, resultando numa temperatura de -40 ° C na glândula prostática.

O HIFU permite o tratamento da próstata através de ultrassons (utilizados na ecografia) focalizados para gerar áreas de intenso calor para destruir o tecido, através de um processo de morte celular designado por necrose. A hipertermia e cavitação acústica são responsáveis pela destruição dos tecidos. O transdutor é inserido no reto, produzindo lesões pequenas, mas muito bem definidas, com o objetivo de tratar a área tumoral. Esta técnica proporciona a vantagem de um tratamento transretal com destruição do cancro.

Concluindo, cada vez mais se pode realizar o tratamento com intuito curativo da próstata sem internamento, permitindo ao doente um regresso precoce à sua atividade diária minimizando os efeitos laterais.

Em Portugal, as Unidades de Cirurgia de Ambulatório desenvolvem uma significativa atividade nesta área.

Dr. António Pedro Carvalho, responsável pela secção de Urologia da Associação Portuguesa de Cirurgia Ambulatória (APCA)

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