UMIB Summit: Invicta recebe primeiro evento na área da Biomedicina

Redação News Farma
27/07/15
UMIB Submmit: Invicta recebe primeiro evento na área da BiomedicinaExistem em Portugal grupos de excelência científica em investigação em Biomedicina de qualidade comparável ao que de melhor se faz a nível europeu. Mas “com um apoio financeiro bastante aquém daquele que vigora na maioria dos países da União Europeia”, afirma a Prof.ª Doutora Mariana Monteiro. Em entrevista à News Farma, a coordenadora da Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica (UMIB) do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) revelou alguns pormenores do UMIB Summit 2015, onde são esperados aproximadamente 250 participantes, entre clínicos, investigadores e alunos de pós-graduação, nos dias 24 e 25 de setembro.


News Farma (NF) | Como classifica a investigação em Biomedicina em Portugal comparativamente com a que é realizada em outros países europeus?
Prof.ª Doutora Mariana Monteiro (MM) | Nas últimas décadas, no mundo e em particular por toda a Europa, a investigação em Biomedicina tem vindo a organizar-se em institutos e unidades de dimensões variáveis, geralmente integradas ou em estreita colaboração com as escolas médicas e os hospitais universitários, onde por excelência está facilitada a reunião num único local de investigadores, clínicos e doentes.
Em Portugal, existem 16 unidades de investigação e desenvolvimento no domínio científico da Biomedicina, reconhecidas e financiadas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, sendo a Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica (UMIB) uma destas unidades. No nosso País existem, de facto grupos de excelência científica em investigação em Biomedicina, alguns de qualidade comparável aos que existem na Europa. No entanto, com um apoio financeiro bastante aquém daquele que vigora na maioria dos países da União Europeia.

NF | Qual a mais-valia da aposta na investigação em Biomedicina?
MM | A mais-valia da Biomedicina é permitir reunir diferentes áreas do conhecimento médico, mas também biológico e tecnológico, aplicados à Medicina, permitindo através da interdisciplinaridade, obter uma visão alargada de vários fatores, desde ambientais a epidemiológicos, genéticos e bioquímicos, com o objetivo de compreender as causas, efeitos, mecanismos e permitir o desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico e tratamentos.

NF | A Biomedicina é também aplicada à especialidade de Medicina Geral e Familiar?
MM | A Medicina Geral e Familiar, pelo número e variedade de patologias que abarca tem um papel fundamental e um enorme potencial para contribuir para esse progresso, quer identificando lacunas no domínio do conhecimento que importe colmatar e possam ser estudadas mais detalhadamente em unidades de investigação, quer como parte ativa, participando em estudos de natureza epidemiológica e em ensaios clínicos.

NF | Em setembro o Porto vai acolher o UMIB Summit, o primeiro evento do género realizado em Portugal. Quais as expectativas?
MM | Organizar uma reunião multidisciplinar à volta da Medicina Clínica representa um grande desafio. Nas últimas décadas assistimos a uma crescente especialização do conhecimento médico, que seria inevitável dado o aumento exponencial do conhecimento médico, pelo que é natural que os clínicos concentrem a sua atenção e escassa disponibilidade de tempo em reuniões monotemáticas específicas e menos em reuniões de temáticas mais abrangentes. No entanto, começamos a reconhecer a necessidade de manter o contacto, ainda que esporádico, com as demais áreas do conhecimento, pela mais-valia da partilha de experiencias e do conhecimento das diferentes abordagens de investigação em Biomedicina.

NF | Com que objetivo é realizado o Summit?
MM | Para além de fomentar a atualização de conhecimentos médicos, esperamos promover as colaborações multidisciplinares já existentes e incentivar o desenvolvimento de novas sinergias, não só entre os diferentes grupos de investigação da UMIB, mas também com os novos parceiros nacionais e internacionais, na área da investigação, inovação e desenvolvimento relacionada com a medicina clínica.

NF | Qual a vantagem de juntar investigadores de diversas áreas, nacionais e estrangeiros, num único espaço?
MM | O principal objetivo da UMIB é desenvolver uma investigação, não apenas multidisciplinar, mas também de caráter translacional, dedicada ao estudo de doenças em vários domínios da Medicina com elevada prevalência, morbidade ou mortalidade. Para tal, as equipas de investigação da UMIB reúnem clínicos e investigadores em ciências básicas com aplicação clínica, com o objetivo final de melhorar a saúde e o bem-estar dos doentes. Queremos juntar, num mesmo fórum de discussão, clínicos, investigadores e futuros profissionais das ciências da saúde, mas também a indústria e as empresas para as quais esperamos transferir o conhecimento de modo a faze-lo chegar à prática clínica.

NF | Qual a importância para a UMIB em organizar este evento?
MM | Dada a complexidade atual do conhecimento em Biomedicina e nas ciências médicas em geral, no futuro a manutenção do progresso irá forçosamente requerer o recurso a grandes consórcios multinacionais, tais como os contemplados pelo modelo dos projetos do Horizonte 2020, no seu pilar “Desafios Societais”. Com este evento esperamos consolidar as colaborações existentes e desenvolver novas parcerias para o estabelecimento de projetos de carácter Europeu dedicados ao estudo de doenças de elevada prevalência, morbilidade e mortalidade, com vista a uma participação ativa em projetos do Horizonte 2020.

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